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Luiz Carlos Merten

29 Setembro 2010 | 12h59

RIO – Dei uma olhada rápida nos comentários e pesquei o de… – Quem? -, me pedindo que comentasse ‘Mary Stuart’, no ciclo John Ford. O filme pertence à fase do Ford ‘intelectual’ dos anos 1930/40, que adaptou os clássicos, quase sempre com roteiro de Dudley Nichols. São filmes como ‘O Delator e ‘Long Voyage Home’, baseado em Eugene O’Neill, ambos fortemente expressionistas, e também ‘Mary Stuart’, adaptado da peça de Schiller. Katharine Hepburn é quem faz o papel e o filme é centrado no julgamento da personagem, que será condenada ao cadafalso, num jogo de cartas marcadas. Orson Welles, explicando certa vez as pesquisas de cenário de ‘Cidadão Kane’, citou o John Ford de ‘No Tempo das Diligências, com as cenas dentro da diligência, propriamente dita, aquele teto baixo oprimindo os personagens. Sempre achei que ‘Mary Stuart’ talvez tivesse influenciado Welles mais ainda. Aquele formato de arena para o julgamento, a bancada dos juízes, num plano mais alto. Não é dos melhores filmes de Ford e eu o vi dublado, mas me fascinou. E Hepburn é gloriosa. Conta a lenda que Ford e ela tiveram um tórrido affair e o grande diretor quase largou da mulher para ficar com a estrela. Só como curiosidade, amanhã passa, na TV aberta, ‘O Céu Mandou Alguém’, The Three Godfathers, os Três Reis Magos de John Ford, que Albert Serra também deve ter visto antes de fazer sua belíssima versão de ‘invenção’, que vi e revi em Paris, quando? Há dois anos? O importante é que reveria de novo.