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Luiz Carlos Merten

05 Março 2011 | 11h48

Não resisto a acrescentar um post rapidinho pegando carona nos comentários do Celdani e do Marcelo no post sobre o ciclo das mais belas histórias de amor.  É curioso como, a propósito do amor, o assunto caiu em terror. ‘A Profecia’, de Richard Donner, é um filme que sempre me impressiona. Quando estou zapeando na TV paga e está passando, eu paro à espera da cena em que o vidro partido decepa a cabeça do fotógrafo enxerido, David Warner, que tenta descobrir o que está ocorrendo. No remake, a cena equivalente é muito laboriosa, mas justamente por isso, por ser tão ‘construída’, ela não tem uma fração do impacto do original. Aliás, todo o remake é muito ruim. Quanto a Martha Hyer, embora nunca tenha filmado com Alfred Hitchcock, ela era a perfeita loira fria. Contratada da Paramount, apareceu em filmes de Edward Dmytryk (‘Os Insaciáveis’) e Henry Hathaway (‘Os Filhos de Katie Elder’), mas seus grandes papeis foram mesmo com Minnelli na Metro (‘Deus Sabe Quanto Amei’) e Arthur Penn na Columbia (‘Caçada Humana’). Não sei se vocês se lembram dela, mas naquele carnaval de violência que vira o fim de semana da caçada ao fugitivo Bobby Reeves no clássico do grande Penn, Martha é uma burguesa que dá uma festa em sua casa. Todo mundo bebe além da conta e ela tem uma crise histérica, ou de bebedeira, durante a qual se rompe seu colar e as pérolas se esparramam pela tela. Penn era genial na arte de fazer o espectador compartilhar esses momentos de ‘pele’. O realismo é tão intenso que, mesmo sem 3-D, aquelas contas (pérolas) me perseguem até hoje. E a expressão0 da Martha! Não diria que ela era uma grande, nem mesmo boa, atriz. Mas o que grandes diretores fizeram com ela não está no gibi. Meu amigo Tuio Becker adorava fantasiar histórias em que homens bem cafajestes fundiam o gelo de Martha Hyer e a transformavam na ‘cadela’, no sentido renoiriano, em que imaginávamos que ela poderia se converter.