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Cultura » Marisa Allasio!

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Luiz Carlos Merten

08 Setembro 2007 | 12h16

Não quero perder de jeito nenhum a Claudia e o Fábio Negro, que são dois dos comentaristas mais ‘atuantes’ do blog, mas que esta duplinha anda raivosa ou, pelo menos, com pouca paciência, lá isso anda. Falo mais sobre Glauber daqui a pouco. Estou no Centro, naquela internet da Rua Conselheiro Crispiniano, atrás do Teatro Municipal, que é onde gosto de postar. Me dou ao trabalho de sair de casa, em Pinheiros, e vir até aqui, quando poderia postar de lá, claro. Mas isso faz parte do meu temperamento. Quando ouço as pessoas, colegas jornalistas, dizerem que adoram trabahar em casa ou que seu sonho é não ter de ir à Redação (com maiúscula – afinal, estamos plugados de qualquer lugar), confesso que me horrorizo. Denise Está Chamando? Eu, hein? Confesso que este não é o mundo para mim. O meu tem de ter muita gente em volta, o que não significa que eu não conviva bem com a minha solidão. Existem momentos em que eu, saudavelmente, quero distância de tudo e todos. Mas, enfim, cheguei aqui no Centro e dei uma passada na galeria da Barão de Itapetininga com a Dom José de Barros, para conferir as novidades naquela loja, a Gerasom, que trabalha basicamente com clássicos. Estava fechada – por conta do feriadão, com, certeza -, mas o primeiro DVD que vi na vitrine me pareceu muito curioso. As Sete Colinas de Roma, com Mario Lanza, que eu tirei do baú a propósito da morte de Paravarotti, o tenor das multidões. As Sete Colinas de Roma também, é interpretado por Renato Rascel e Marisa Allasio. Renato interpretou um filme que eu não sei se é bom – Paulo Fontoura Gastal o adorava -, mas faz parte da minha memória afetiva. Policarpo, de Mario Soldati, conta a história de um oficial caligráfico, personagem que não existe mais, em lugar nenhum do mundo (acho). O cara trabalha num escritório, no começo do século passado, e sua letra é o maior dom, porque ele se esmera na caligrafia. Vem a máquina de escrever e o cara surta. Seu mundo vem abaixo, mas ele dá a volta por cima e vira o mais veloz dos datilógrafos. Há uma grande riqueza metafórica nesta história, filmada por volta de 1960, e eu imagino que se pudesse fazer uma nova versão. Soldati é figura antiga do cinema italiano, um pré-neo-realista. Fez filmes de certo prestígio, mas dele, além de Policarpo, o que guardo é a seguinte história – foi ele quem sugeriu a Visconti o título de Vagas Estrelas da Ursa, retirada do poema de Leopardi, para o clássico de 1965, com Claudia Cardinale. O filme chamava-se Sandra, e este título, a bem da verdade, foi mantido em vários países, inclusive nos EUA. Quanto a Marisa Allasio… Foi uma cavalona que surgiu no cinema italiano entre o fim do neo-realismo e a consolidação do cinema de autor, no começo dos anos 60. Marisa fez muitas comédias e trabalhou com diretores importantes (Risi, Risi e Risi), mas nunca mais a vi. Viajei naquela vitrine da Gerasom. Vocês iam viajar, também. Melodramas mexicanos e espanhóis (Libertad Lamarque e Sara Montiel), spaghetti westerns (que não os do Leone), cults de Hollywood (westerns, musicais e filmes noir), há de tudo, para todos os gostos.

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