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Luiz Carlos Merten

06 Setembro 2007 | 13h39

Confesso que não tenho uma memória muito nítida de Mario Lanza. Vi O Grande Caruso e sei que, por conta de um litígio com a Metro, ele foi despedido do set de O Príncipe Estudante, mas sua voz é que aparece na trilha (Edmund Purdom faz somente a mímica). Mario Lanza nunca me impressionou muito, embora, como tenor de plantão na marca do leão, interpretasse as xaropadas que o estúdio criava especialmente para ele e eu admito que via todos aqueles filmes nas animadas sessões da tarde de domingo no antigo cine Colombo, em Porto Alegre. Ia quase sempre com minhas amigas gêmeas, Mary e Miriam – onde andarão? Reconheço, de qualquer maneira, que houve um culto a Mario Lanza em todo o mundo e Peter Jackson aproveitou-se disso para criar o universo de fantasia em que viviam as duas garotas de Almas Gêmeas, seu melhor filme neozelandês, na fase anterior à saga (monumental) de O Senhor dos Anéis. Sei que Mario Lanza engordou muito e morreu acho que durante uma terapia do sono, numa clínica de Roma, quando lutava contra a obesidade que destruiu sua carreira. Vou chutar – não tenho nenhuma base para o que vou dizer agora, mas em 1956, Mario Lanza fez um filme chamado Serenata, que o rei do western (príncipe, pelo menos…) Anthony Mann adaptou de James M. Cain, o autor na base de clássicos noir como Pacto de Sangue e O Destino Bate à Sua Porta. A trama do filme diz respeito a este cantor, protegido de uma dama (Joan Fontaine), manipulado por um empresário mau-caráter (Vincent Price) e amado secretamente por uma jovem (Sara Montiel, com quem o diretor se casaria, antes de ela voltar à Espanha para virar grande estrela. Ele foi junto e fez El Cid, um dos maiores épicos do cinema). O xis da questão em Serenata é o homossexualismo reprimido do personagem de Lanza. Sei não, acho que não era só o personagem. Mario Lanza era assexuado demais. O cara se destruiu, de qualquer maneira.