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Luiz Carlos Merten

20 Novembro 2006 | 11h50

TESSALONICA – O festival ofereceu hoje um tour para quem quisesse conhecer a cidade. Fomos Lucy e Paula Barreto, Suzana Schild, Ugo Sorrentino e eu, integrando um grupo com pessoas do Irah, da Dinamarca e sei lah de onde mais. O guia era genial. Constantinos Sfikas, alem de saber tudo sobre Tessalonica, eh um entertainer, um verdadeiro showman. Levou-nos para conhecer a cidadela, com suas muralhas de mais de mil anos; as ruinas das termas romanas e das termas que os turcos construiram, seculos mais tarde; a igreja de Sao Dimitrios; e o Museu de Arte Bizantina, o que foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido. Nao sabia, mas em diferentes momentos de sua historia Tessalonica foi ocupada pelos romanos, integrou o imperio bizantino e o otomano. Ateh os nazistas ocuparam a cidade no seculo 20, promovendo um progrom brutal. Pela quantidade de judeus fugitivos que acolheu durante a Inquisicao, Tessalonica era conhecida como a segunda Jerusalem. Todo esses cosmopolitismo etnico e cultural dah a cidade grande diversidade. Uma parte historica, com grandes ruinas, sobrevive em pleno centro urbano, em meio a edificios modernos, com centros comerciais e lojas de grife. Tessalonica eh uma cidade universitaria, com um contingente de habitantes joven. O plano de urbanizacao se constroi do porto, ganhando os montes, com suas dezenas de igrejas de varias religioes. A perola do passeio foi o museu, construido pelo arquiteto Kyriakos Krokos e inaugurado por Melina Merocouri, quando era ministra da Cultura da Grecia. Sao seculos de historia, desde o primeiro bizantino na arte, do quarto ao setimo seculos da era de Cristo, ateh o chamado bizanrtino tardio, no seculo 19. O proprio museu eh uma obra de arte, tendo recebido um premio de melhor projeto e, no ano passado, o de melhor museu da Europa, atribuido pelo Parlamento europeu. Nao conto soh para que voces compartilhem do meu prazer nem fiquem com inveja. Quando chegamos ao ‘late Bizancio’, o bizantino tardio, Constantinos perguntou se haviamos lido O Codigo Da Vinci e visto o filme que Ron Howard adaptou do best seller de Dan Brown. Ele nos levou a um quadro nao muito grande que representa a Santa Ceia. Pediu que contassemos as figuras – 13. A intrusa no quadro eh uma mulher que se aninha no ombro de Cristo, presumivelmente Maria Madalena. Ou seja, aquilo que Dan Brown e Ron Howard sugerem a partir de Da Vinci estah ali bem claro, numa pintura do seculo 18. Conto isso porque, por estes dias (acho que 22), chega as lojas o DVD versao sell thru do filme, para colecionadores, carregado de extras. Ainda nao vi, mas duvido que tenha o quadro presente no Museu de Arte Bizantina de Tessalonica. Seria muito interessante.