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Luiz Carlos Merten

14 Novembro 2006 | 19h00

Meu dia hoje foi punk. Passei pelo jornal para fazer a coluna de filmes na TV, redigi a entrevista do Karin Aïnouz, que fiz com Flávia Guerra, sobre a próxima estréia (sexta) de O Céu de Suely e iniciei uma verdadeira maratona de filmes, como se estivesse na Mostra. Vi, na seqüência e indo de lugares tão distantes quanto o Espaço Unibanco e a cabine da Columbia, na Av.Nações Unidas, Fonte da Vida, do Darren Aronofsky, o documentário do Guilherme Coelho sobre Fernando Lemos e The Guardian, que acho que se chama Anjos do Mar, com Kevin Costner e Ashton Kutcher, todos com estréia programada para sexta. O que menos gostei foi de Fonte. Aronofsky é um diretor que não consigo engolir. Acho pretensioso, as estruturas narrativas circulares ou em formato de quebra-cabeças que ele propõe nunca me convencem. O que achei mais curioso em Fonte da Vida é que o diretor recorre ao mito da criação nas culturas cristã e maia para falar da vida. Foi justamente esse olhar, mesmo que atravessado, sobre a América pré-colombiana, que me atraiu um pouco. Foi como um aperitivo para o novo filme do Mel Gibson, que estréia agora em dezembro nos EUA (para se habilitar para o Oscar…) e presumo que chegue ao Brasil em 2007. Achei interessante o documentário do Guilherme Coelho e gostei do The Guardian, filme de aventuras bem interessante, com personagens que não são meros estereótipos e que coloca questões – o envelhecimento, a vida -, de maneira mais sugestiva que o filme do Aronofsky, ou pelo menos a mim pareceu. Confesso que gostei de ter gostado. Achava o Andrew Davis um diretor de ação bem decente, gosto de O Fugitivo, com Harrison Ford e Tommy Lee Jones, mas aí ele fez umas bobagens. É bom poder falar bem de um cineasta que parecia descartado. The Guardian é um pouco longo, reconheço. Tem 2h20, mas não é perda de tempo. A ação, fora os espetaculares resgates no mar, é mais interior. Me emocionou uma coisa – vocês já sabem como sou sentimental. Na Criação de Adão, Michelangelo mostra o toque daquelas duas mãos, a do Criador e a da criatura. Andrew Davis recorre duas vezes a essa mão estendida, mas nas duas ela é recusada, num efeito trágico que me tocou. Há algo de amargo nos heróis que Kevin Costner interpreta depois dos fracassos de Waterworld – O Segredo das Águas e O Mensageiro. Essa amargura percorre The Guardian. Os velhos heróis andam cansados e o cinema reflete sobre isso.

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