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Luiz Carlos Merten

09 Setembro 2008 | 14h31

Acabo de ver ‘Mamma Mia’, sem ter muitas referências sobre o filme, embora em Londres, Nova York, Paris e até na Suécia, a caminho da Semana Bergman, encontrasse sempre aqueles outdoors anunciando o filme ou o musical, que, como franquia, correu o mundo. Fui neutro, e tenho de admitir que me diverti e até me emocionei com certos momentos, porque o filme fala muito do que sonhamos e no que nos transformamos e eu, em semana de aniversário, estou muito sensível a isso. O tema da filha em busca do pai também me lembrou vagamente ‘Beleza Roubada’, do Bertolucci, que é um dos meus filmes cults (já contei por quê – a garota chama-se Lucy e é interpretada por Liv Tyler, que é muito parecida com minha filha Lúcia, e na verdade todo o filme do Bertolucci é um rito fúnebre sobre o sonho de Maio de 68, que morre – morre? – com o personagem de Jeremy Irons). Isso posto, quero dizer que, se Meryl Streep não existisse, teria de ser inventada em nome da melhoria do gênero humano. Ela é maravilhosa, em ‘Mamma Mia’, inclusive. Acredito que Meryl tenha cantado – afinal, ela já havia cantado naquele último filme do Altman, quando a entrevistei em Berlim e entrevistar a Meryl Streep é uma daquelas experiências que enriquecem qualquer currículo. Digo isso sem tietagem, mas com admiração sincera. Lembro-me que Sérgio Augusto em certo artigo, na época de ‘A Escolha de Sofia’ ou ‘Entre Dois Amores’, caiu matando na Meryl por causa de seus sotaques. Disse que ele era a Greer Garson de sua geração… Mas deixem-me voltar a ‘Mamma Mia’, e ao ABBA. No final da sessão deixei a sala com o Celso Sabadin, que lembrava como a música do ABBA tinha fornecido a trilha das suas baladas juvenis. É o que dá ser ‘garoto’. No meu tempo, eu ouvia os Beatles e tenho de confessar que o ‘meu’ Beatles do coração é ‘Michelle’ (My belle/These are words that go together well…). Logo em seguida veio a ditadura, e eu curtia, nos velhos festivais da Record, o Vandré cantando ‘Disparada’ e o Chico na ‘Banda’. Descobri a latinidad e foi a fase da Mercedes Soza no ‘Duerme Negrito’ e da Isabel Parra cantando Violeta (‘Gracias a la Vida’ – sempre preferi a versão dela à da ‘Negra’). Quando Travolta estourou em ‘Embalos de Sábado à Noite’, inaugurando a era das discotecas, eu já estava em plena paixão de Cristo – 33 anos -, portanto, meio ‘passadinho’ para Bee-Gees e, logo, ABBA. Vejam que sou tão ‘alienado’ que, da trilha toda de ‘Mamma Mia’, acho que reconheci, de ouvido, apenas duas músicas, ‘Dancing Queens’- isso não vai pegar bem – e aquela que Meryl canta para o Pierce Brosnan, dizendo que o vencedor leva tudo. Ah, sim, face a algumas soluções de mise-en-scène, fiquei pensando o tempo todo quem era o diretor. É uma diretora – Phyllida Lloyd. Quem é? Aguardo informações de vocês…

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