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Luiz Carlos Merten

08 Maio 2007 | 12h05

É meu lado gaúcho. Nós, dos pampas, somos grossos até quando queremos ser gentis, vive me atirando na cara a minha colega Regina Cavalcanti. Enfiei o pé pela mão ao corrigir meu erro no post sobre Não por Acaso, quando chamei o diretor Philippe Barcinski de André. Disse que não fazia a menor idéia de quem era André Barcinski e de onde poderia ter vindo minha confusão. Bem – André é irmão de Philippe e co-diretor daquele documentário sobre José Mojica Marins, Maldito (ao qual assisti). Ou seja, lá no meu inconsciente sabia muito bem quem é André Barcinski. Êta, cara grosso. Eu! Barbaridade, tchê! Aproveitando, quero iniciar uma polêmica que, espero, repercuta. É sobre José Mojica Marins. O cara é o maior cult e, em todo o mundo, já falei com diretores que, quando perguntava se conheciam o cinema brasdileiro, respondiam – Zé do Caixão, Coffin Joe. O mais recente acho que foi o Eli Roth, de O Albergue. O cara veio ao Brasil. Seu pequeno filme havia arrebentado no mercado americano e Hollywood já estava cooptando o Eli, que fez a seqüência de O Albergue, não vou dizer que com muito mais dinheiro. Ele fez ‘com’ dinheiro, e nisso vai toda a diferença. O primeiro havia sido meio na cara e na coragem. Levei um papo legal com ele e o Eli só lamentando que estava no Brasil, já ia embora, e não havia encontrado o Marins, que era seu ídolo. Até ensaiei uma tentativa de encontro dos dois, mas já era tarde e não deu. (Marins não sabe, porque não tenho canal direto com ele.) Enfim, conto tudo isso para chegar aos finalmentes. Posso ser o único, no mundo ou no Brasil, mas não tenho a menor empatia (ia escrever paciência…) com os filmes do Marins. Aquela coisa do primitivo, de pensar o Brasil, que encanta tanta gente ligada ao cinema marginal e não apenas – Glauber defendia o Marins –, não me diz nada. Posso até achar interessante, se for racionalizar, mas não me peçam para ver. Vejo por dever de ofício, não porque gosto. Convençam-me do contrário, por favor.

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