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Malditas! (aquelas Aranhas)

Luiz Carlos Merten

23 Setembro 2010 | 08h13

Embarco hoje à tarde para o Rio, onde à noite começa o festival, com tapete vermelho para o belo filme de Jabor, ‘A Suprema Felicidade’. Viajo cheio de tesão, na expectativa de assistir aos que espero que sejam muitos grandes filmes na seleção de mais de 300 organizada por Hilda Santiago. É impressionante, mas depois de todos estes anos ainda fico em dúvida – Ilda é com H ou sem? Deixando o detalhe, que é importante, de lado, tenho de relatar – pelos autos – que ontem meu dia não foi mole, não. Pela manhã, tinhas as numerosas matérias da edição de hoje do ‘Caderno 2’ – a capa com Cildo Meireles, por conta do documentário de Gustavo Moura (muito legal), a página interna sobre o abre do Rio, com a nova entrevista que me deu Juliette Binoche, sobre ‘Cópia Fiel’, Copie Conforme, explicando por que não vem mostrar o filme de Abbas Kiarostami. Fiz tudo isso e corri para um hospital lá na Vila Mariana, onde comecei uma série de exames, incluindo um dopler, que carrego e do qual só devo me livrar à tarde, pouco antes de embarcar. Estou fazendo check-up do coração. Ando me cansando muito quando subo escadas. Agora, já estou de novo na redação do ‘Estado’, com outra capa e outras tantas matérias sobre as (boas) estreias de amanhã – ‘Wal Street – O Dinheiro Nunca Dorme’, ‘Moscou, Bélgica’ e ‘Terras’ e eu devo acrescentar que achei bem bacana a animação ‘A Batalha por Tera’, que preciso verificar se se escreve assim ou é T.E.R.A., como sigla. Legal, o filme. Neste corre/corre nem tenho tido de postar. Assisti, acho que na terça à noite, ao chegar em casa, uma relíquia trash da qual não tinha conhecimento. Estava zapeando e, de repente, num daqueles canais (e não era Telecine), saltou uma aranha gigantesca na minha tela. Comecei a ‘viajar’, me lembrando da velha ‘Tarântula’, de Jack Arnold, naquele tempo – os anos 1950 – em que Hollywood transformou o gigantismo de insetos em metáforas para tratar do perigo atômico. Por melhor que pudesse ser o filme – a aranha, propriamente dita, era horrível –, nem o talentoso Arnold de ‘Tarântula’ foi páreo para o ‘supremo’ Gordon Douglas de ‘Them!’, O Mundo em Perigo, que, pelo menosa no meu imaginário, é a obra-prima da tendência. Divago – de volta a ‘Malditas Aranhas’, caí duro ao ver a guria Scarlett Johansson (o filme é de 2002) aplicar um choque elétrico nos testículos do namoradinho que, muito afoito – e com toda justificativa –, queria chegar logo aos finalmentes com ela. Logo em seguida, o garoto e sua turma de motociclistas estão sendo perseguidos pelas aranhas, que saltam feito cangurus, a grande distância. As aranhas vão papando um a um, só sobra ele, correndo de moto nos canais de uma mina, onde estão outras tantas aranhas (claro). Corte para Scarlett, no quarto. Ela olha seu aparelhinho de dar choques, sorri para a câmera – e o espectador entende tudo que ela está pensando! Um barulhinho na janela e adentra a aranha que encurrala Scarlett na parede. Ela tenta aplicar um choque na danada, não consegue. A aranha tece sua teia e enrola Scarlett feito múmia. Chega mamãe armada para despachar a bichona. O filme acabou aí para mim e estou até agora sem saber se o guri achou a luz no fim do túnel ou se foi ‘punido’ pela lascívia de querer papar – ele e as torcidas reunidas do Brasil – uma das estrelas mais sexys da atualidade. Fui ao Google ver quem dirigiu a pérola. Ellory Elkayem. O filme é ruim demais, trash total e eu fiquei pensando que, se o ridículo matasse, teríamos sido penalizados com a supressão das boas coisas que Scarlett fez depois. Viajando mais um pouco, lembrei-me de ‘Tremors’, O Ataque dos Vermes Assassinos, de Ron Underwood, com Kevin Bacon e Fred Ward, que eu adorava. Além de ser uma homenagem bem humorada aos filmes B, era sobre família, bem interessante. E, perto de ‘Malditas Aranhas’, era o ‘Potemkin’ das fantasias de segunda (ou terceira).