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Luiz Carlos Merten

30 Janeiro 2007 | 15h45

Tenho de trabalhar, estou postando do jornal, com reportagens para concluir, mas não resisto e dou uma olhada nos comentários. E tenho de postar de novo. Ao contrário do que entendeu o Santander, não estava reclamando do Valente ao dizer que ele leu (entendeu) o que quis. A afirmação é verdadeira; a reclamação, não. Estava no máximo ironizando, porque sei, há muito, que é assim mesmo. Mesmo que você escreva com todas as letras – é diferente de filmar, onde há toda uma construção da imagem que leva a muitas interferências no quadro; esse ‘imponderável’ foi absorvido por muitos grandes autores, incluindo Rossellini e Renoir, e era o tipo de ‘imperfeição’ que Truffaut defendia, mas essa já é outra história –, as pessoas sempre vão ler do jeito que quiserem. Tenho horror de pedantismo. Nos debates de Tiradentes, captei uma erudição fajuta de quem leu orelha de livro e ainda não deglutiu o excesso de informação. Sim, eu sei quais são as formas de financiamento do cinema francês, do inglês, do espanhol, até do grego (que aprendi no recente Festival de Tessalônica). Se citei ‘l’avance sur recettes’, foi porque era a que melhor se aplicava, no caso. Aliás, Jeanne Moreau, que presidiu numa certa época a comissão que atribui o recurso, me deu uma bela aula, numa oportunidade, felicíssima para mim, que tive de entrevistá-la. Mas não estou reclamando, não. Continuem lendo e entendendo como quiserem. Posso tentar ser irônico e quebrar a cara, mas xiita não sou.