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Luiz Carlos Merten

17 Setembro 2008 | 16h35

Fui rever ontem à noite ‘Mamma Mia’. Ao contrário do final de semana, quando se formaram extensas filas para ver o musical de Phyllida Lloyd com Meryl Streep no Arteplex, ontem o cinema – a enorme sala 3 – estava meio às moscas, à noite. Arrisco-me a levar pedradas, mas fazer o quê? Já havia achado o filme bem simpático, mas ontem captei melhor uma questão do tempo que a tudo destrói e as pessoas resistem, ou tentam resistir, a essa destruição. Tinha me prendido muito à questão da garota com o pai, ou os pais, mas ontem me atingiu muito a relação dela com o namorado, que achei bacana. A menina que, ao contrário da mãe, quer um casamento formal, mas que desiste dele. A mãe que nunca quis e agora balança. Existe aí uma inversão que me remeteu a ‘Última Parada 174’, embora, claro, os dois filmes não tenham nada a ver. Um carrega – exagera? – no social, o outro é celebração musical do amor que enfrenta (e resiste a)o tempo. ‘Mamma Mia’ também faz outra celebração, a das coroas, que imagino deva ser libertária para mulheres na faixa dos 40/50 anos. Ligada a esse tema, a presença de Meryl Streep é fundamental. É impressionante como ela ousa, como se renova e transforma. Já tenho duas candidatas para o Oscar de melhor atriz – Meryl, cantando, por ‘Mamma Mia’ e Julianne Moore, por ‘Cegueira. Não sei se elas emplacam as candidaturas e, no limite, nem creio que isso seja muito importante (para mim, pelo menos). Mas que gostei até mais do ‘Mamma Mia’ (e da Meryl), gostei.