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Luiz Carlos Merten

26 Junho 2007 | 13h07

Interessante o comentário do Saymon sobre Truffaut, quando ele relaciona A Mulher do Lado a Hitchcock e diz que Fanny Ardant, desmaiando no estacionamento, é a nova Marnie. Truffaut era louco por Hitchcock e louco por Marnie, que definiu como obra-prima doente, num momento em que o filme era saco de pancada da maioria da crítica, que só o descobriu tardiamente. Truffaut é outro daqueles diretores com os quais mantenho uma relação litigiosa. Gosto, mas na maioria das vezes tento conter meu entusiasmo. De qualquer maneira, sou fissurado no tratamento que ele dá a seu tema favorito, o amor. Nos filmes de Truffaut, o amor é sempre o resultado do embate entre o gesto impulsivo e a palavra consciente, o que faz com que seus personagens avancem e recuem na batalha dos sexos, sendo quase sempre muito vulneráveis. E eu acho sensacional a idéia pouco romântica de As Duas Inglesas e o Amor, que ele também adaptou, como Jules e Jim, de Henri-Pierre Roché. Depois de uma mulher para dois, um homem para duas mulheres. Não era, Truffaut dizia, um filme sobre o amor físico, mas um filme físico sobre o amor. Uma das garotas vomitava, na sua vertigem amorosa, como Fanny iria desmaiar mais tarde. Gostar ou não gostar de Truffaut é o de menos. Preferir esse ou aquele filme é questão de gosto pessoal. Como crítico, ele pode ter sido injusto. Como diretor, talvez tenha se aburguesado como os cineastas que adorava desmoralizar. Mas era um autor, e apaixonado. Ah, sim, Domicílio Conjugal integra o segundo pacote com Antoine Doinel, que a Versátil lança depois deste, acho que em julho, ou agosto.

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