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Luiz Carlos Merten

21 Setembro 2007 | 17h48

RIO – Ninguém se manifestou comentando meu post sobre Tropa de Elite, mas eu volto ao assunto. Quando disse que o filme de José Padilha é O Clube da Luta do cinema brasileiro é por causa do machismo, da violência e do tema da iniciação, mas há uma diferença importante – no filme de David Fincher, os integrantes do Clube são outsiders e, no final, Edward Norton está se preparando para dinamitar um símbolo do poder instituído. Os integrantes do Clube são terroristas, portanto. Aqui, são os próprios agentes da ordem, o capitão interpretado por Wagner Moura, o policial íntegro, que combate o tráfico e os colegas corruptos. Pensei um pouco sobre o comentário em off, que me pareceu muito didático, direcionando o espectador. Alguém me disse – espero não estar repassando informação errada – que Padilha veio das exatas, da física, parece. Ele não deixa, nem aqui nem em Ônibus 174, muito espaço para a participação do público. Quer dizer, o espectador não precisa pensar, porque já tem gente fazendo isso por ele. Sua participação é mais passiva, via descarga emocional. Me bateu, quando soube que Harvey Weinstein, ex-Miramar, estava na platéia do Cine Odeon BR e que ele vai apadrinhar o filme nos EUA, que era um recurso visando justamente o público externo. O brasileiro, e o carioca em especial, sabe perfeitamente sobre o que Padilha está falando. O comentártio em off atende o público que não está imerso no problema, os gringos. Será?

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