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Luiz Carlos Merten

18 Abril 2012 | 12h29

Vi que já existem alguns comentários no post sobre Romy Schneider. Redigi-o rapidamente ontem, depois da reunião de pauta do ‘Caderno 2’, que foi quase até 8 da noite. Depois, fui jantar com meus amigos Dib Carneiro e João Sampaio num novo restaurante da Joaquim Antunes, o Bra.do, que fica entre a Rua dos Pinheiros e a Rebouças. Nem tão novo assim, porque já vem do fim do ano passado, mas só o descobri agora. Foi minha segunda vez consecutiva no restaurante, que amei. Come-se muito, muito bem, uns peixes deliciosos, com uns purês que derretem na boca e as entradinhas… Bruscheta desmontada, ceviche. Nhoc-nhoc. Tentem e depois me digam se não gostaram. Mas, enfim, de volta a Romy, estava salvando o post para editar e me bateu aquela coisa. Tanto para dizer sobre Romy. Sua associação com Claude Sautet, em todos aqueles filmes maravilhosos, que terminei ignorando, na pressa. ‘As Coisas da Vida’, ‘Max et les Ferrailleurs/Sublime Renúncia’, ‘César e Rosalie’, ‘Mado – Um Amor Impossível’, ‘Uma História Simples’. Sempre amei Sautet, e não apenas ele. Houve outros diretores franceses, pequenos autores como Pierre-Granier Deferre, de ‘O Gato’ e ‘A Viúva’, que me encantavam. São, até onde me lembro, as melhores adaptações de Georges Simenon que conheço, incluindo as incontáveis com Jean Gabin como o inspetor Maigret. De certa forma, Deferre e Sautet encarnaram para mim um novo cinema francês de qualidade, sem a conotação pejorativa que François Truffaut atribuiu ao termo. A prova de que é possível conciliar público e crítica, que os pequenos dramas de pessoas comuns podem ser fascinantes (e universais). Sautet extrapolou essa dimensão ‘pequena’, virou um grande autor. Romy é maravilhosa, pura humanidade em seu cinema, contracenando com Michel Piccoli, Yves Montand, Sami Frey. E não me esqueço da tensão erótica entre Alain Delon e ela no policial ‘A Piscina’, de Jacques Déray, que venceu o Festival Internacional do Filme, acho que o segundo, no Rio, fim dos anos 1960. Fui procurar no Dicionário de Cinema e Jean Tulard define ‘La Piscine’ como filme psicológico, admiravelmente construído. Delon, Maurice Ronet e Romy – ela faz uma pequena participação em ‘O Sol por Terstemunha’, de René Clément, outra rivalidade Delon/Ronet, com Marie Laforet, a garota dos olhos de ouro, como atração erótico/romântica. Comecei com Romy, estou viajando, viajando…