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Mais nacionais chegando

Luiz Carlos Merten

13 Setembro 2007 | 15h47

Comemorei meu aniversário com amigos num restaurante mexicano e abusei da tequila. Ave Maria! Mas sobrevivi e hoje pela manhã fiz todas as matérias que vocês vão ler amanhã no Caderno 2, sobre as estréias desta sexta-feira. São várias, incluindo uma bateria de novos filmes brasileiros. Tem o Querô, do Carlos Cortez; o Aboio, documentário da Marília Rocha, cineasta de Minas, ligada à produtora Teia; outro documentário, Pedrinha de Aruanda, do Andrucha waddington, sobre Maria Bethânia; e até a reestréia, na versão restaurada, de O Homem que Virou Suco, de João Batista de Andrade. Entrevistei Andrucha ontem. Ele estava em Nova York, viajando para o Brasil, depois de passar por Toronto, em busca de parceria para dois projetos em língua espanhola. Andrucha fez um trabalho muito bonito com a Bethânia. Ao filmar os dois, Caetano e ela, naquela varanda, e naquela seresta, em Santo Amaro, tenho a impressão de que ele fez 2 Filhos de Dona Canô (e a matriarca do clã Veloso faz 100 anos neste fim de semana!). Agora pela manhã, entrevistei a Marília Rocha e o João Batista de Andrade, e foi bem legal. Comentei com a Marília essa coisa de existir uma escola mineira de documentário e seus integrantes serem ligados, ou pelo menos encarados pela crítica, como mais ligados à videoarte que ao cinema. Marília me disse que, até por isso, temia pela exibição do documentário dela num projeto chamado Cinema no Rio, que leva filmes às populações ribeirinhas do São Francisco. Para surpresa dela, o que o público sofisticado das cidades (críticos, jornalistas em geral e cinéfilos) definia como videoarte foi recebido por aquele público mais simples como uma coisa muito real e muito próxima deles. Um outro olhar. Muito interessante. Gostei também de rememorar com o João Batista a carreira do Homem. O filme estreou mal, foi a Moscou, ganhou o festival e voltou para ser (re)descoberto pela crítica e pelo público, há 26 anos. Gosto bastante do Homem que Virou Suco – e acho José Dumont sensacional; João me contou, o que eu não sabia, que pensava inicialmente em fazer o filme com Tom Zé, só depois descobrindo o ator certo –, mas confesso que a obra-prima do diretor, para mim, é Wilsinho da Galiléia, que foi, inclusive, preparatório para O Homem que Virou Suco. João me contou que, não faz muito tempo, foi procurado por Mano Brown, que havia descoberto Wilsinho, o filme, e foi dizer ao João que aquilo que rappers como ele fazem hoje, o diretor já fazia há quase 30 anos! Sinceramente, cada vez mais me convenço que meu negócio é gente. O cinema é só um instrumento para me aproximar das pessoas, na tela ou fora dela. Mas toda essa correria pela manhã não me deixou tempo para postar, o que faço somente agora, um pouco para agradecer o carinho de todos vocês. Valeu!