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Luiz Carlos Merten

09 Outubro 2006 | 09h48

Fui cumprimentar Paulo Autran após o espetáculo de O Avarento, ontem à noite, e ele foi simpático, como sempre. Observei que havia encontrado elementos do Arlecchino e do grande cômico italiano Totò na criação dele do personagem de Molière e o Paulo disse que, se é para fazer comédia, tem de se ir fundo. Ele assume a idade e tira partido do corpo cansado. Tem momentos em que olha feito bobo, o queixo caído, o cabelo espetado, e você tem vontade de aplaudir em cena aberta. Paulo é muito melhor que a montagem, propriamente dita, e eu nunca havia reparado como o Harpagão demora para entrar em cena. Contava os minutos – quando, o Paulo? Ele contou que Cao Hamburger lhe ofereceu um papel maior em O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias, mas não teve condições de aceitar mais do que a pequena participação que faz (e com brilho) no belo filme que ganhou o prêmio do público na Première Brasil, no Festival do Rio, e passa na Mostra Brasil, em São Paulo, antes de estrear nacionalmente. Cacá Diegues também o queria em O Maior Amor do Mundo. Paulo Autran, com seu currículo no teatro e na TV, faz parte do cinema brasileiro com Terra em Transe. Gosto muito da história que ele conta. Paulo tinha medo de estar exagerando. Queria colocar um freio na sua interpretação do ditador Diaz, mas Glauber, de trás da câmera, pedia – ‘Mais, mais!’. É uma grande história, não?