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Luiz Carlos Merten

03 Março 2008 | 14h36

Ia postar sobre o De Sica, mas volto ao Losey. Sua colaboração com o dramaturgo Harold Pinter foi muito rica (para ambos) e o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura escreveu para Losey uma adaptação de ‘Em Busca do Tempo Perdido’, que quem leu diz que é o maior (no sentido de melhor) roteiro do mundo. Losey dedicou anos de vida ao projeto de adaptar o romance cíclico de Marcel Proust. ‘O Mensageiro do Amor’ foi um rascunho para o que poderia ter sido o seu Proust. O problema é que Visconti também queria fazer seu tempo perdido (e o reencontrado). Um inviabilizou o projeto do outro. Odiavam-se – e não ajudou a melhorar as relações o fato de ‘O Mensageiro’ ter recebido a Palma de Ouro no mesmo ano (1971) em que o Festival de Cannes criou um prêmio intitulado do 25º aniversário e o atribuiu ao Visconti de ‘Morte em Veneza’. Boa parte da obra de Visconti (‘Sedução da Carne’, ‘O Leopardo’, ‘Morte em Veneza’, ‘Ludwig’) também mostra o que poderia ter sido o seu Proust. Visconti estava doente quando seu protegido, Helmut Berger, foi fazer ‘A Inglesa Romântica’ com Losey. Visconti sentiu-se traído. Gênios também são humanos. Pode ser que este post passe uma idéia da pequenez de dois grandes artistas. Mas não resisto a postar essa história, no fundo, trágica de dois diretores que estão no meu panteão particular.