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Mais Greenaway em SP

Luiz Carlos Merten

09 Julho 2007 | 17h19

Greenaway é uma figura e tanto. Lembrava-se de mim, mas não exatamente de onde. Lembrei que nos encontramos em Cannes, em Berlim, em Veneza e no Rio, quando ele veio, há quase dez anos, montar sua ópera Cem Objetos para Representar o Mundo. Foi daí. Ele se lembrava de nossa conversa. Greenaway é radical na avaliação da herança do cinema. O que o cinema legou em mais de 110 anos de história? Passando por cima de obras-primas que cada um de nós poderia citar – Cem Obras-Primas para Representar o Cinema –, ele diz, provocativamente, que não foi muita coisa, exceto o fato de nos fornecer um material de trabalho – ele como cineasta/artista multimídia, eu como jornalista –, que nos permitia estar ali, conversando. Greenaway fala das novas tecnologias – e defende a superioridade da High Definition, HD, sobre o digital –, mas, para ele, o futuro do cinema, mais do que na técnica, está no desligamento da literatura como origem de tudo. O cinema, ele defende, precisa se interessar menos pela narração e mais pelo quadro, pela interação com, as outras linguagens, sem ser necessariamente linear, ou narrativo. O título de sua conferência amasnhã, na UFRGS, em Porto Alegre, é O Cinema Está Morto, Longa Vida ao Cinema, mas poderia ser Cinema – Abaixo a Literatura, Viva a Pintura! Ele próprio acaba de fazer, em HD, um filme sobre Rembrandt, intitulado Night Watching, que já está confirmado no Festival de Veneza. Por que a HD? Greenway diz que, se dispusesse da ferramenta, o próprio Rembrant a teria usado. Cor, textura, tudo isso é inesgotavelmente rico em HD. Ele anunciou também que já tem um roteiro pronto e grana para fazer, em São Paulo, no ano que vem, um filme sobre a pornografia. O que o atrai é a possibilidade de falar de sexo, erotismo e pornografia à luz da repressão exercida pela Igreja Católica em nossa formação.