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Luiz Carlos Merten

13 Outubro 2008 | 19h33

Não cheguei a complementar meu post sobre ‘Velha Juventude’, do Coppola. Flávio me havia pedido uma opinião sobre o filme e eu confesso que fui empilhando as idéias sem chegar a uma definição. É curioso, mas um filme como ‘Horas de Verão’, de Olivier Assayas, a que assisti no sábado, após a coletiva de apresentação da 32ª Mostra de Cinema São Paulo, me apanhou de imediato. Não sei de vocês, mas comigo muitas vezes ocorre assim. Eu viajo de cara em certos filmes. Com outros, a relação é mais complicada, ia dizer ‘difícil’. A adesão não é tão imediata, mas em certos casos, justamente como ‘Velha Juventude’, o filme fica comigo e volta e meia eu me pego pensando em cenas pontuais. Adorei a história da metempsicose, a reencarnação da mulher amada na garota e seu recuo no tempo, até a mística indiana. Acho este tema muito intrigante, e lamento que Vadim tenha estragado seu episódio que já tratava disso, ‘Metzengerstein’, em ‘Histórias Extraordinárias’, que Fellini, Malle e ele adaptaram de Edgar Allan Poe. Para dizer a verdade, o que me incomodou em ‘Velha Juventude’, no mau sentido, foi o duplo. O personagem de Tim Roth tem o seu doppelganger, do qual ele só se liberta ao destruir o espelho, no qual se reflete. Não consegui entender bem a necessidade dramática desse outro, embora imagino que tenha a ver com o seguinte fato – ele vive uma vida no tempo, ao rejuvenescer, mas tem outra que permanece parada, como uma espécioe de consciência da sua idade ‘real’. Achei que poderia rever o filme do Coppola na Mostra, mas não o encontrei na relação. Será que ele vai estrear por aqui? Imagino que sim, pois a versão que vi no Rio já era legendada em português do Brasil. Mas quem distribui?