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Luiz Carlos Merten

18 Dezembro 2007 | 14h26

Queria falar mais sobre a dupla Kadar e Klos, que ganhou o Oscar por ‘A Pequena Loja da Rua Principal’, mas já havia feito filmes como ‘O Anjo da Morte se Chama Engelchen’, que virou só ‘O Anjo da Morte’, e ‘O Acusado’. Sempre me impressionou muito uma coisa que li. Kadar estava dirigindo não sei mais que filme quando ocorreu a invasão de Praga, em 1968. O filme foi interrompido e ele, já conhecido dos norte-americanos – afinal, ganhara o Oscar -, tentou prosseguir a carreira nos EUA, mas não se adaptou às condições de Hollywood e acabou como artista. É uma coisa que me choca e remete a ‘A Vida dos Outros’, que me marcou tanto, embora não seja a crítica do regime comunista (e da famigerada Stasi) que me vá fazer desistir da crença num socialismo democrático ou num regime mais igualitário do que esta m… que está aí. Está para nascer quem me convença que é assim mesmo e um bilhão de pessoas têm de viver em condições sub-humanas para que dez mil vivam em alto estilo. Mas que um filme como ‘A Vida dos Outros’ balança qualquer convicção e força a gente a ter pensamentos profundos, ah, isso é verdade. Pelo menos foi assim para mim. É por isso mesmo que agora estou seriamente tentado a consdiderá-lo o melhor estrangeiro do ano, acima de ‘Ratatouille’.