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Luiz Carlos Merten

07 Fevereiro 2010 | 13h46

Cheguei ontem à tarde e, em casa, zapeando na TV paga, vi que havia um Minnelli na rede Telecine. ‘Um Amor do Outro Mundo’ (Goodbye, Charlie), de 1964. A comédia com Tony Curtis e Debbie Reynolds se situa entre dois filmes do diretor que me agradam mais – ‘Papai Precisa Casar’, com o menino Ron Howard, e ‘Adeus às Ilusões’ (The Sandpiper), com o casal Burton/Taylor. Não resisti e fiquei vendo, mas já estava terminando. Saí e peguei uma condução para o centro. Mal desci do ônibus e desabou o mundo. Corri para uma marquise e fiquei mais de uma hora vendo o mundo passar e a água cair. Eh, São Paulo… À noite, fui rever ‘Nine’. Não quero polemizar com o Silva e muito menos com meu colega Ubiratan Brasil, o Bira, que deu de ver o musical pela cartilha da dupla Muller/Botelho, Deus me livre! Mas eu gostei ainda mais de ‘Nine’. Marion Cotillard é uma loucura, Daniel Day-Lewis é um arraso e alguns números musicais tocam a perfeição, entre eles, claro, o de Saraghina, com Fergie. Para mim, o filme funciona (muito) e Rob Marshall, sob certos aspectos, vai adiante do próprio Fellini, porque seu musical, mesmo pegando carona em ‘Oito e Meio’, como a peça que lhe deu origem, tem recuo para falar sobre a totalidade do autor italiano, que morreu há quase dez anos (1991). Há uma discussão muito interessante sobre a moralidade do artista, e não apenas dele, que pode ser aplicada aos personagens fellinianos de ‘Os Boas Vidas’, ‘A Estrada da Vida’, ‘A Trapaça’, ‘A Doce Vida’ etc. Confesso que a revisão do filme me trouxe uma descoberta – Sophia Loren. Não havia captado a sutileza daquela mamma e o que a persona de Sophia lhe acrescenta, mas quando o menino pula na grua com Daniel Day-Lewis e o aparelho descreve aquele movimento eu estava em êxtase. Tive a mesma sensação de euforia que experimentei ao ver ‘Nine’ pela primeira vez em Santa Monika, no começo de janeiro. Aliás, maior. Queria mais. Revi ‘Nine’ na última sessão de ontem do Espaço Unibanco. Se começasse outra sessão em seguida, teriam de me expulsar da sala. Queria ver tudo de novo.