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Cultura » Madonna, o nome dela é… Dita

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Luiz Carlos Merten

10 Dezembro 2008 | 14h41

Madonna realiza neste fim de semana seu show no Rio e, na semana que vem, desembarca em São Paulo. Já disse que, para minha surpresa, adorei o filme dela como diretora, ‘Filth and Wisdom’, que passou em Berlim, em fevereiro. Até achei que estaria estreando nos cinemas por esta época, para aproveitar a mídia, mas depois li em algum lugar que o filme não seria (será?) lançado nos cinemas, podendo ser disponibilizado via internet. Vocês devem saber disso melhor do que eu? É verdade? Seja como for, já explico porque estou falando em Madonna. Depois de meses de reclamação aqui no blog, finalmente consegui comprar nas bancas – tem na do Conjunto Nacional, na Av. Paulista, e naquela da esquina da Av. São Luiz com Ipiranga – números a esta altura antigos (de setembro) das revistas ‘Cahiers du Cinéma’, ‘Première’ e ‘Studio’. Precedendo a estréia nos cinemas (na França) de ‘Filth and Wisdom’ e o início da turnê mundial, Madonna abriu sua casa de Nova York para ‘Studio’, para uma reportagem do tipo ‘Madonna conta tudo’. Como se trata de uma revista, mesmo popular, sobre cinema, a entrevista não versa sobre fofocas, mas procura revelar quem é esta mulher por meio de seus gostos. Na coletiva de seu filme, em Berlim, Madonna já havia falado de sua admiração por Godard. Podia ser jogada de marketing – afinal, público festivalier, cult etc e tal -, mas o que ela diz sobre seu Godard favorito, ‘Masculino Feminino’, discorrendo sobre os efeitos perversos do consumismo e da modernização, é muito nteligente (e pertinente). Você pode, de novo, colocar em xeque a sinceridade de Madonna, porque, afinal, ninguém é mais ícone de consumo do que ela própria, mas peraí – como ela própria diz, só faz o que quer e, se serve à indústria do show bizz, com certeza sabe dispor e dominar toda a maquinária que ela coloca a seu dispor. Madonna diz coisas interessantes sobre David Fincher, que realizou alguns de seus melhores clipes, e discorre, também com propriedade, sobre outros – além de ‘Masculino Feminino’… – clássicos do cinema francês. Ela adora ‘Cléo das 5 às 7’, de Agnès Varda, e revela que um de seus cults é ‘L’Atalante’, de Jean Vigo, que descobriu no fim dos anos 80. Madonna ficou particularmente chapada pelo rosto de Dita Parlo. ‘Quanto mais a olhava, mais me identificava com ele’. Por causa disso, ela deu seu nome à narradora da canção ‘Erótica’ – ‘My name is Dita/I’ll be your mistress tonight’. E, ah, sim, Madonna admite ter experimentado um sentimento de ciúme em relação à ‘môme’ Marion Cotillard. ‘Gostaria muito de ter realizado o filme e de haver dirigido essa atriz’, a quem define como ‘saisissante’. Para eventuais interessados neste número de ‘Studio’, a revista homenageia os 75 anos da Warner e pega carona na estréia de ‘Contre le Murs’, o filme de Laurent Cantet que ganhou – merecidamente – a Palma de Ouro, não apenas para entrevistar o autor (o que também fiz em Cannes), mas também para uma reportagem muito interessante, ‘O cinema vai à escola’, listando obras clássicas dessa tendência (ou será que se pode chamar de ‘gênero’?).

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