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Luiz Carlos Merten

08 Junho 2011 | 22h38

Tive hoje um dia bastante agitado que incluiu, vejam só, a mediação das coletivas do Festival Varilux do Cinema Francês. Comandei a mesa com a delegação francesa, integrada por Regina Hatchondo, diretora-geral da Unifrance, e por divers atores e diretores, incluindo Yahime Torrès, atriz de ‘Vênus Negra’, de Abdellatrif Kechiche, e a homenageada Sandrine Bonnaire, que tive o prazer de entrevistar depois. Sempre gostei de Sandrine, atriz de Maurice Pialat, Claude Chabrol, Agnès Vardas e Patrice Leconte. Por dúvida das vias, levei o livro de entrevistas com Leconte que comprei em Paris, ‘J’Arrête le Cinéma’. Sandrine não leu. Mostrei-lhe trechos em que Leconte fala sobre ela e foi muito bacana. Na sequência da coletiva da manhã, sentei-me à mesa com Mademoiselle Catherine Deneuve e ela foi ótima. Perguntei-lhe especificamente sobre o reencontro com Gerard Depardieu em ‘Potiche, Esposas Trofeu’, o novo François Ozon, quase 30 anos depois que ambos interpretaram ‘O Último Metrô’, de François Truffaut. Ela disse que a ‘retrouvaille’, o reencontro, só ocorre na cabeça do espectador, porque Gerard e ela sempre estiveram em contato, mas acrescentou que acha bacana como Ozon, pertencente a uma geração de cineastas cinéfilos, se apropria de uma imagem de cinema, usando o romance de Depardieu e dela no filme de Truffaut para compor os personagens atuais. Com Sandrine fiquei mais de meia hora e confesso que foi emocionante ouvi-la coinfessar que, sim, uma relação especial a une a Leconte. Os dois se veem de vez em quando, mas cada reencontro é um acontecimento e eles retomam os assuntos como se tivessem se visto ontem. Pialat e Chabrol lhe fazem muita falta, especialmente Pialat. Foi seu mentor. Sua irmã queria ser atriz e respondeu a um anúncio do diretor que procurava atrizes para seu longa ”A Nos Amours’. Sandrine foi com as duas irmãs, Pialat dispensou as duas e imediatamente percebeu que Sandrine poderia lhe dar algo mais. Pialat exigia dela a espontaneidade, a inocência. Com o tempo, ela adquiriu a técnica, mas hoje, cadas vez mais, busca reencontrar a espontaneidade dos tempos de Pialat, que lhe parece a maneira mais autêntica de se manter atuante, e renovada, no movimento do cinema. Estou acrescentando esse post só para dar notícias. Estou em casa, digitando no meu novo laptop, que uso pela primeira vez. Pode, ou deve, estar cheio de erros de digitação. Amanhã corrijo, mas o próximo post já deve ter origem do Rio. Vou pela manhã, cedo, para ficar próximo da delegação francesa e para assistir, no sábado, à projeção ao ar livre de ‘Orfeu Negro’, a versão de Marcel Camus, no forte do Leme. Lá vou eu!