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Luiz Carlos Merten

02 Janeiro 2009 | 20h06

Recebo dois e-mails da sempre atenciosa Christine Aimée, attachée de presse do Festival de Cannes. O primeir é para me – nos – desejar feliz 2009 e o segundo para informa que o júri da 62ª edição do evento, em, maio, será presidido por… Isabelle Huppert. Em janeiro d ano passado, entrevistei Claude Chabrol em Paris, ao participar do Encontro do Cinema Francês. Daqui a duas seanas volto a Paris para outro ‘Rencontre’, mas esta é outra história. Agora, quero lembrar o que me contou Chabrol. Ele havia ficado irado com o festival que, em 1958, recusou seu segundo longa, ‘Os Primos, que foi um dos cartões de apresentação da nouvelle vague. Chabrol hoje em dia tem distanciamento crítico para avaliar que o festival daquele ano fra formatado para dar a vitória a Jacques Tati, por ‘Meu Tio’, e nada poderia se arriscar a estragar a festa. Na época, mais jovem – jeune turc, como ele ironizou -, jurou que nunca mais voltaria a Cannes, mas em 1978, exatamente 20 anos depois, ele havia feito ‘Violette Nozière’ com Isabelle Huppert e ela queria tanto ser melhor atriz na Croisette que Chabrol reconsiderou sua decisão. Ele participou da disputa pela Palma de Ouro – perdeu para ‘A Árvore dos Tamancos’, de Ermanno Olmi -, mas Isabelle Huppert recebeu o primeiro de seus dois prêmios de interpretação no maior festival do mundo. O segundo veio por ‘A Pianista’, de Michael Haneke, em 2001. O restante da composição do júri será agora definido pelo diretor artístico Thiérry Frémaux em parceria com M. la Presidente. O cargo é honorífico e muito prestigiado na França. Quando exerceram a presidência do júri de Cannes, Clint Eastwood, Quentin Tarantino e Martin Scorsese pareciam estar ocupando o outro cargo, que hoje pertence a Sarkozy. O comunicado de Christine Aimée acrescenta uma informação qe me interessou muito. Isabelle acaba de concluir uma nova versão de ‘Barrage contre le Pacifique’, romance de Marguerite Duras que já fora adaptado por René Clément, justamente em 1958, chamando-se, no Brasil,. ‘Terra Cruel’. A nova versão promete bastante, assinada que é por Rithy Pahn, autor (cambojano) de dois grandes filmes, ‘A Máquina de Morte do Khmer Vermelho’ e ‘Os Artistas do Circo Queimado’ (estou traduzindo literalmente ‘S21, La Machine de Mort Khmer Rouge’ e ‘Les Artistes du Cirque Brulé’). Por suas escolhas no teatro e no cinema, Isabelle Huppert não é só uma grande atriz, mas também uma artista corajosa e ousada. Um júri presidido por ela promete, com certeza.