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M… de sistema

Luiz Carlos Merten

21 Outubro 2012 | 09h08

É a lei de Murphy. Tentei ver ontem pela manhã a cabine de imprensa do novo Manoel de Oliveira, mas houve sei lá que quiprocó e não deu para passar ‘O Gebo e a Sombra’, que vai trazer Claudia Cardinale à cidade. No lugar, foi exibido um documentário bonito, ‘Planeta Que Respira’, sobre Susumu Shinzu, um visionário japonês que quer criar uma cidade inteira baseada na energia do vento. Shinzu é escultor. Esculpe objetos, móbiles que só existem pelo e para o vento. Quer coisa mais efêmera? Ao mesmo tempo, o vento que sibila e move as árvores, as folhas, a grama, coloca o problema do vento. Lembrei-me de ‘História do Vento’, último filme de Joris Ivens, que sua viúva (e codiretora), Marceline Loridan, veio exibir na Mostra, anos atrás. Mas eis que eu estou aqui, na redação do ‘Estado’, e de novo não vou conseguir ver o Oliveira. Deu sei lá que erro no sistema, que os técnicos de plantão no domingo ainda não conseguiram detectar, e eu muito provavelmente não vou conseguir terminar os filmes na TV nem a matéria que tenho para amanhã. Como esperar que esteja às 11 no Shopping Frei Caneca? Merda… Assisti ontem à noite a ‘Elena’, de Petra Costa, que causou comoção em Brasília. Meu amigo Dib Carneiro foi junto na sessão do CineSesc. Lá estava Alexandre Borges, que tanto sucesso fez como Kadinho em ‘Avenida Brasil’. Aliás, quero falar sobre o fim da novela de João Emmanuel Carneiro – daqui a pouco. Quando veio de São José do Rio Preto, Dib foi trabalhar na ‘Gazeta de Pinheiros’. Conheceu as irmãs Elena e Petra, que era bem pequena. Dib tomou um choque ao saber que Elena se havia matado e Petra fez um filme resgatando a memória da irmã. Achei bonito, mais defensável que “Uma Longa Viagem’, de Lúcia Murat, com o qual tem alguns pontos de contato, mas confesso que não consegui ‘entrar’ no clima. Pontualmente, sim, porque existem belos momentos (e envolventes), mas Petra estetiza/poetiza demais, o que é uma maneira de lidar com a dor da perda, mas não consegui sentir a visceralidade. Decepcionei-me. Pelo visto, sou exceção. Hoje, quero ver ‘O Que se Move’, de Caetano Gottardo, que deu a Fernanda Vianna o prêmio de melhor atriz em Gramado. Critiquei as escolhas do júri no Festival do Rio, e duas das mais absurdas, mesmo que não rigorosamente indefensáveis, foram as escolhas de ator e atriz coadjuvantes. Caco Ciocler, a quem admiro, talvez se aborreça, mas dar o prêmio a ele – por ‘Disparos, de Juliana Reis -, ao invés de Lima Duarte (por ‘A Busca’) ou José de Abreu (‘O Meu Pé de Laranja Lima’), foi doideira. Da mesma forma não entendi como Alessandra Negri, protagonista de ‘O Gorila’, ganhou melhor coadjuvante (pelo filme de José Eduardo Belmonte), tirando de Fernanda Vianna o prêmio de melhor coadjuvante, que ela merecia pela extraordinária cena em que a mãe canta em ‘O Meu Pé de Laranja Lima’). Fernanda está no teatro, apresentando o ‘Tio Vânia’ do Grupo Galpão em algum lugar, por aí, nesse Brasilzão. Lá vou eu, louco para ver ‘O Que se Move’.