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Luiz Carlos Merten

25 Setembro 2006 | 13h16

Revi ontem na Première Brasil somente parte de Sonhos e Desejos e confesso que abandonei a projeção, incomodado com a reação da platéia. Já tinha visto o filme do Marcelo Santiago em Gramado, onde o júri deu o prêmio de melhor atriz a Mel Lisboa – prêmio, aliás, discutível e não porque ela esteja mal. Mel é o que o filme tem de melhor, mas foi no mínimo estranho dar os prêmios de ator e coadjuvante para Anjos do Sol e ignorar a atriz (ótima) que é a própria alma do filme de Rudi Lagemann. Em Gramado, Sonhos e Desejos já havia provocado o ódio dos coleguinhas da crítica que, não é novidade para ninguém, detestam tudo o que Fábio Barreto faz. Aqui, ele é produtor.
Não gostei de Sonhos e Desejos, mas não concordo muito com a objeção que se faz ao filme. Ouvi, no debate de Gramado, mais de um crítico dizer que Santiago ficou indeciso entre o romance e a política ao falar de uma célula de guerrilheiros durante a ditadura militar. Ele não ficou indeciso – tomou partido, que pode não ser o que eu gostaria, por exemplo, ou que outros espectadores também preferissem. Outros diretores romantizaram a luta armada. Santiago usa a luta armada como fundo para um romance. Ouvi uma colega dizer que não pode. Por que não? Que sacralização é essa do tema e de onde vem essa idéia de que ele só pode ser tratado de um jeito? Dito assim, parece que estou defendendo Sonhos e Desejos. Não estou. Prefiro muito mais a abordagem que o Flávio Frederico faz do assunto em Caparaó, que também está no Festival do Rio e este, sim, é um filme do qual gosto muito. O que me incomodou no domingo à noite, voltando ao começo, foi que a platéia do Cine Palácio ria como se estivesse assistindo a uma comédia, o que o filme não é nem pretende ser. Mas tem muita coisa que parece ridícula e isso eu compreendo. É verdade que também teve gente que riu da Dália Negra, mas essa é outra história. E o filme do De Palma é muito trash mesmo.

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