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Luiz Carlos Merten

10 Agosto 2007 | 15h23

Vários filmes estão estreando nesta sexta – Primo Basílio, a cujo fracasso já tem gente brindando; O Edifício Yacoubian, que passou na Mostra do ano passado e é um dos maiores (o maior?) sucesso do cinema egípcio; Sem Reservas, o Ratatouille de carne-e-osso, pra gente ver se Catherine Zeta-Jones é boa de fogão; e três documentários – Person, da Marina Person, sobre o pai dela; O Fim do Sem Fim, sobre profissões e ofícios que estão desaparecendo no Brasil, sob o impacto da modernidade; e um que não vi e estou morrendo de vontade de ver – Mestre Bimba. Em São Paulo, deve ter, mas não vejo tanto. No Rio, às sextas e sábados, na Cinelândia, em frente ao Cine Odeon, apresentam-se grupos de capoeiristas. Em Paris já vi grupos de capoeira se apresentando nas ruas e o 7º Festival do Cinema Brasileiro em Israel foi inaugurado, em Tel-Aviv, por um grupo de capoeira. É um furor, no mundo todo, por esse jogo atlético que é, ao mesmo tempo, sistema de ataque e defesa. Nelson Pereira dos Santos, baseado em Jorge Amado, fez Tenda dos Milagres, que é justamente sobre o preconceito contra as atividades afro-brasileiras, entre elas a capoeira, na Bahia do começo do século passado. O engraçado, e agora já estou estendendo demais o assunto, é que a palavra capoeira tem múltiplos significados (pode ser mato roçado ou gaiola grande, vocês sabiam? Curioso, não?) De volta ao documentário, o que me atrai em Mestre Bimba nem é o próprio capoeirista, em si, que não conheço, mas o diretor. Nos anos 70, Luiz Fernando Goulart fez um filme que é cult total para mim – Marília e Marina, com Denise Bandeira, Kátia D’Ângrelo e Fernanda Montenegro, adaptado da Balada das Duas Mocinhas de Botafogo, de Vinicius de Moraes. Sempre que me lembro de classe média no cinema brasileiro, este é um dos filmes que me vêm. Nunca pude rever Marília e Marina, que é de 1976, tenho certeza – o ano da morte do Visconti. Não sei se o filme é tão bom como me pareceu, mas sei que não estou sozinho no culto. Fui cobrar do pessoal do Canal Brasil porque Marília e Marina não estava no acervo e me contaram que o canal corre atrás do filme há um monte de tempo. Pois bem. A volta do Goulart é uma coisa me atrai muito. Há tempos não ouvia falar nele. Cheguei a perguntar para algumas pessoas e nada. Estou partindo do princípio de que seja o mesmo Goulart. Tem de ser. Quando às Mocinhas, o poema teve outra versão recente, um curta que vi… Aonde? No Recife?