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Luc Besson e sua cidade dos mil planetas

Luiz Carlos Merten

05 Agosto 2017 | 13h32

Tive uma semana agitada, corrida e nem tive tempo de dar conta de coisas que andaram ocorrendo por aqui. Depois de Edgar Wright e Ansel Elgort, e de Andy Serkis, Luc Besson veio mostrar sua nova fantasia científica, adaptada de um comic francês. Valerian e a Cidade dos Mil Planetas. Trouxe o próprio Valerian, Dane DeHaan. Se estava esperando alguma coisa, não sei o que era. Na junket justamente de Baby Driver/Em Ritmo de Fuga, quando comentei com ele sobre a vinda de Besson, Renato Hemsdorff me disse que Valerian havia sido demolido acho que pela Hollywood Report, que cravou – não é preciso procurar mais, porque a Framboesa de Ouro de pior filme do ano já tem dono. É o Besson, e por Valerian. Ué, estou pensando cá comigo, será que De Canção em Canção é hors concours? Se estiver no páreo, ninguém tira do Terrence Malick, que meu colega Luiz Zanin (e a Folha) amaram. Puta filme ruim, broxante. Que o diga meu colega… Não vou dar o nome, é sacanagem. Ele estava super afim de uma garota, levou-a para ver o filme cabeça, elogiado, mas saíram tão destruídos que, no máximo, rolou um beijinho de despedida. Estava cada um na sua padiola – eu já escrevi aqui no blog, um Lav Diaz de oito horas é aperitivo e me cansa menos que a piece of shit do gênio de plantão. Mas, enfim!, anos depois consegui fazer a Besson a pergunta que não queria calar. Lucy, ou a mulher (Scarlett Johansson) que virou computador, é a sua resposta ao mistério de 2001? Sua interpretação sobre a origem de Hal 9000 na odisseia do espaço de Stanley Kubrick? Mais ou menos, me disse ele. No final, o que diz Lucy antes de desaparecer na máquina? Ela deixa uma nota dizendo que será onipresente, mas ninguém a verá. E o que é isso senão a definição de Deus? Se não é a origem do computador, é a da religião. Muito interessante. E Valerian? Besson disse que achava bacana, em seu filme, que um alienígena viesse dar lições de humanidade aos humanos, que perderam todo senso. Perderam mesmo, haja visto as recentes votações em Brasília. Valerian e a girlfriend (Cara Delevingne) salvam planeta da destruição. Enfrentam militar que cometeu uma cagada e não se importa de matar 6 milhões de pessoas, destruindo todo um mundo para ocultar seu crime. Como fantasia é bem realista, não? Não the dark side of the Force, mas o bright shine of Love. Um filme de amor, mais doce (o casalzinho é encantador) que a Mulher-Maravilha. Valerian foi um super-mega-fracasso nos EUA. Depende agora do mercado externo, isso é, do Brasil e outras colônias, para tentar se pagar. E o Besson mudou muito. Era um monstro de arrogância. Está cool. Disse-lhe. Finalmente do bem, nosso Besson, com Lucy e Valerian. Perguntei-lhe, para encerrar, qual o filme recente de que mais gostou? Sua resposta – Miss Sloane, Armas na Mesa, de John Madden, com Jessica Chastain. Bem coerente com sua visão em Valerian…