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Luiz Carlos Merten

21 Junho 2008 | 13h17

RIO – Dei uma olhada rápida nos comentários sobre o post do Delannoy, que na verdade foi mais sobre o debate do Altman. Prometo falar sobre o Demy – temos até segunda, dia 23 – e até incrementar a proposta de debate feita pelo Alexandre, mas tenho de confessar uma coisa. Vou acrescentar uns posts bem básicos, porque meus óculos quebraram e… Não dá, né? Velhinho no computador, sem óculos, tem de forçar muito a vista. Ainda ontem, depois de redigir os textos a que me referi, corri para o Sofitel para entrevistar Ariane Ascaride, Catherine Breillat e Clotilde Hesme. Tive de desistir da Clotilde, e ela é uma delícia. Foi muito simpática comigo, lembrando-se do nosso encontro de janeiro, em Paris. Ariane e Catherine foram ótimas. Os filmes de ambas, ‘Lady Jane’ e ‘A Última Amante’, devem estrear nas próximas semanas – não sei se já na próxima sexta e poderemos voltar ao assunto. Catherine Breillat desceu a lenha no Vincent Cassel, padrinho do 1.o Panorama do Cinema Francês no Brasil, dizendo que o diretor de ‘Satã’, que ele produz, o Kim Chapiron, só veio porque é seu amigo e não tem a menor representatividade no cinema francês atual. Enfim, foram ótimas entrevistas. Adoro a Ariane Ascaride, e ela é outra sempre muito calorosa, lembrando-se das vezes em que nos encontramos, aqui e fora, por conta de seus filmes com Robert Guédiguian. Ariane é muito politizada, e muito crítica. Estava falando da crise da esquerda francesa, e eu introduzi o assusto do Mitterrand, cujos últimos dias foram filmados por Guédiguian. Ariane ama o Michel Bouquet, que faz o papel – ela riu quando lhe disse que ele é mais Mitterrand que o próprio -, mas ficou uma arara. Disse-me que detesta o filme e até que brigou muito com o marido (‘Nous nous sommes beaucoup disputés’), porque nunca conseguiu atinar com a sua necessidade de fazer aquele filme. Também vai ser curioso falar sobre isso, no jornal e no blog. Já no Rio, assisti ontem a ‘Martin Fierro’, do Torre-Nilsson, e o filme não é bom – embora tebha vencido a Gaivota de Ouro no FestRio de 1969. A trilha de Ariel Ramirez, de qualquer maneira, é maravilhosa e eu a conhecia desde que comprei o bolacha (vinil), lançado na Argentina pela Philips, com a trilha e excertos dos diálogos, em que Alfredo Alcón recita o poema de José Hernández. Hoje pela manhã, entrevistei José Castiñeira de Dios, grande compositor argentino de cinema, vencedor de um César, o Oscar francês, pela trilha de ‘Tangos, o Exílio de Gardel’, de Fernando ‘Pino’ Solanas. Conversamos inclusive sobre Torre-Nilsson e ‘Martin Fierro’. Na segunda, David Tygell e ele participam de um debate no Cinesul, o evento de cinema ibero-americano que ocorre aqui no Rio, justamenter para expor seus respetivos processos criativos (e debater a música feita para cinema). Lamento não poder ficar, mas na segunda embarco para a Suécia, para a ilha de Farö, onde, na quarta ou quinta, começa aquele evento Bergman a que já me referi. Quanto ao cinema latino… Dentro de algumas semanas, começa o Festival de Cinema Latino de São Paulo, no Memorial da América Latina. Los hermanos também estão chegando a São Paulo. Aguardem.