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Cultura » Los Angeles? Sampa?

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Luiz Carlos Merten

07 Dezembro 2007 | 08h19

Agora me perdi, acho que foi no ‘L.A. Weekly’, um jornal gratuito de Los Angeles, mas dei uma olhada numa reportagem interessante, que bate com o comentário do Saymon ao meu post sobre a Calçada da Fama, no Hollywood Boulevard. Saymon disse que o texto lhe havia lembrado Raymond Chandler. A reportagem em questão diz respeito a uma pesquisadora (quem?) que resolveu investigar o que resta da L.A. de Chandler na atualidade. Dei uma olhada, como já disse – não li -, mas me pareceu muito curioso. E, aliás, é o tipo de reportagem que se pode fazer em todo mundo, em qualquer lugar. O que resta da Paris de Proust, da Londres de Charles Dickens, do Rio de Machado de Assis, da Porto Alegre de Erico Verissimo, da São Paulo de… Quem? Khouri? Sempre me impressionou muito uma coisa. Quando vim morar em São Paulo, tinha um amigo que morava na Praça Roosevelt. A praça já era aquela coisa toda de concreto, dominada pelo prédio do Pão de Açúcar. O final de ‘Noite Vazia’ foi filmado ali, quando a Praça Roosevelt ainda era uma praça. Khouri colocava o Gabriele Tinti no meio da vegetação, naquele amanhecer que não trazia nenhuma promessa de superação, como nos finais do Antonioni. Khouri me mostrava umas fotos que ele tinha da filmagem – era outra São Paulo. Não fico nostálgico pela cidade, mas pelo Khouri. Era tão legal conversar com ele. Um homem culto, inteligente, com uma visão tão lúcida do cinema. Khouri me fez algumas das observações mais pertinentes que já ouvi sobre Bergman, Sternberg (que era sua paixão) e Tarantino. E ele amava o panteísmo lírico de D.H. Lawrence. acho que teria gostado da ‘Lady Chatterley’ de Pascale Ferran. Me lembro daquele encontro do Wyler com o Wilder no enterro do Lubitsch. O Wyler disse qualquer coisa como – que pena, nunca mais teremos o Ernst! Wilder retrucou – pior! Nunca mais teremos os filmes do Ernst!Os novos filmes não realizados vão sempre fazer falta, mas os autores, também. Nunca passo pela Rua Martins Fontes sem me lembrar do Khouri e de sua mulher, a grande Nadir, que não viveu muito tempo após a morte do marido. Chega! Vou parecer muito depressivo, o que não é o caso.

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