Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Longa vida!

Cultura

Luiz Carlos Merten

12 Julho 2009 | 22h33

M…! Estava terminando um post enorme quando apertei sei lá que tecla e meu texto sumiu. Vamos começar de novo. No post sobre a aula magna de Nelson Pereira dos Santos não fiz nenhuma referência a uma coisa que ele disse (e mexe comigo). Nelson criticou a substituição do conceito do cinema por audiovisual, cada vez mais frequente em debates que envolvem principalmente produção. Os franceses e norte-americanos resistem e não abrem mão do ‘cinéma’ e dos ‘movies’, talvez porque saibam que esses termos carregam uma história. A gente diz cinema e já vêm o Eisenstein, o Orson Welles, o John Ford. Já o audiovisual… Acho que o novo termo inclusive elimina as fronteiras entre cinema e TV, transforma tudo numa coisa só e essa é uma crítica frequente à produção brasileira mais comercial. Para desautorizar determinados filmes, os críticos dizem que sua estética é ‘televisiva’. Pois, claro, é tudo audiovisual, afinal de contas. Achei bem interessante a colocação. Isto posto, quero dizer que tive um dia bem complicado. Fui ao jornal, fazer as matérias do dia, almocei e dali fui diretamente para o 9 de Julho, o hospital, para dar uma olhada na tosse, que, como eu disse, estava – está – me matando. Fiquei umas boas quatro horas lá dentro, fazendo hemograma, raio X, tudo que tinha direito. Não tenho gripe suína nem pneumonia, mas em compensação estou com bronco-qualquer coisa, o que já me obrigou a entrar no antibiótico e no antiinflamatório. É verdade que ajudou a piorar meu estado a sessão de ontem de ‘Quanto Custa o Amor?’ O Memorial estava lotado e eu, sem me dar conta, fiquei debaixo de um daqueles condutos de ar condicionado. De nada adiantou vestir o casaco, um horror. Senti que piorava (e o filme não ajudou a me animar.) Voltei hoje ao Memorial para a cerimônia de encerramento do 4º Festival de Cinema Latino-Americano. Nelson Pereira dos Santos ganhou seu troféu especial e fez um emocionado discurso de agradecimento, dedicando o prêmio ao uruguaio que promoveu, em 1958, o primeiro encontro de cineastas latinos em Montevidéu. Na sequência, foram anunciados os vencedores. ‘Corumbiara’, um belo documentário que já havia sido premiado no É Tudo Verdade, recebeu o prêmio do público. O da crítica, atribuído por um júri formado por Neusa Barbosa, Cléber Eduardo e Christian Peterman, foi para o mexicano ‘Voy a Explotar’. Acho bem bacana esse festival e me encanta que atraia tantos jovens. Pode ser que o fato de ser de graça ajude – jovem, em geral, é duro. Eu era… Mas só isso não explica. Há um extraordinário interesse da garotada pela nossa identidade latina, pela América nuestra, e nisso vai embutida uma recusa pelo modelo globalizado e americanizado dominante no circuitão. Como disse Jorge Sánchez, do Festival de Guadalajara – um dos convidados internacionais -, ‘Longa vida ao festival latino-americano!

Encontrou algum erro? Entre em contato