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Luiz Carlos Merten

14 Outubro 2009 | 09h59

Não estou conseguindo produzir meu material de hoje, para poder escolher entre uma das tantas cabines que ocorrem agora pela manhã. Um post está puxando outro e os filmes na TV de amanhã continuam me esperando… Mas não resisto a postar mais este. Fiz a mediação de vários debates no Festival do Rio, inclusive um sobre televisão, como se faz TV de sucesso no Brasil. É curioso, mas os diretores podem discutir a questão do mercado, mas tem sempre a noção de que cinema é linguagem. No debate de TV, a discussão é sobre ‘conteúdo’. Foi ali, mais do que nunca, que tive a verdadeira noção, não sei se uso a palavra certa, do ‘perigo’. Nelson Pereira dos Santos, homenageado no Festival de Cinema Latino-Americano, já manifestara seu desagrado em relação ao termo audiovisual, dizendo que sua praia é cinema. Pode ser coisa de dinossauro, mas entendo perfeitamente. Cinema é linguagem. Conteúdo, qualquer coisa é, atualmente. Morro de medo quando ouço este papo de produzir conteúdo para celular. O cinema, que me interessa, é a primeira janela do audiovisual. É uma linguagem e, do ponto de vista do investimento, é a atividade mais arriscada. Sei lá o que nos reserva o futuro – cada um na sua casa, vendo filme no computador, ou no metrô, conferindo seu celular -, mas não posso deixar de pensar, mesmo sem querer impedir a (r)evolução, que pode estar vindo por aí uma perda. Do que entendi, dos debates todos, é que o ‘theatrical’ – a exibição trsadicional – vai ficar mais competitivo com o digital e a construção de novas salas de periferia (mas tem gente dizendo, santa ignorância, que o projeto é só para levar ‘Lula, o Filho do Brasil’ ao público que poderá eleger a favorita do presidente). Enquanto isso, Tarantino usa o celuloide como dinamite para explodir o mundo, no sensacional efeito catártico de ‘Bastardos Inglórios’. O cinema está acabando, longa vida ao cinema!