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Luiz Carlos Merten

26 Setembro 2011 | 23h55

Havia assistido no sábado a ‘Sem Saída’, o novo thriller com o lobinho Taylor Lautner. O título é o mesmo de outro thriller – bom – de Roger Donaldson com Kevin Costner, lá pelo fim dos anos 1980. O novo ‘Sem Saída’ é dirigido por John Singleton e eu confesso que gostei de ter visto, embora não seja louco de recomendar. Entrevistei Taylor Lautner quando veio a São Paulo com Kristen Stewart para lançar acho que o ‘Lua Nova’, da saga ‘Crepúsculo’. Havia adolescentes, muitas meninas, acampadas na frente do hotel para ver a dupla e a própria Kristen me disse que a histeria seria muito maior se Robert Pattinson, o Edward, estivesse com eles. Entendo perfeitamente o sucesso de Kristen e Pattinson, mas, para o meu gosto, acho os dois muito sem graça, para não dizer insossos. Kristen ainda tem uma passividade interessante, que a credencia como heroína romântica. Já o Taylor de ‘lobinho’ não tem nada. O cara, aos 19 anos, pode ainda ter cara de bebê, mas é um cavalão, benza a Deus, e segura a onda como herói de ação que, na hora H, põe a mocinha no colo e não é exatamente para embalar. ‘Sem Saída’ é sobre esse garoto que descobre a própria foto num site de crianças desaparecidas. Se isso é verdade, quem são aquelas pessoas que ele sempre considerou seus pais? O herói nem tem tempo de formular a questão e assiste ao assassinato de papai e mamãe, virando alvo de uma implacável caçada humana em que, a cada momento, tem de testar e provar suas habilidades. Quando disse que gostei de ver ‘Sem Saída’ não foi propriamente por Taylor Lautner e sim, pelo diretor. Identidade, família, o assassinato da mãe (e aqui também do pai), tudo aproxima ‘Sem Saída’ de ‘Quatro Filhos’, o filme anterior, com Mark Wahlberg, que John Singleton adaptou do westernm ‘Os Filhos de Kate Elder’, de Henry Hathaway. O curioso é que, repensando a carreira do diretor, e apesar de alguns acidentes de percurso, os novos filmes são coerentes, em estilo e temas, com os anteriores – ‘Os Donos da Rua’, ‘Sem Medo no Coração’ e ‘Duro Aprendizado’. Particularmente, ‘Sem Saída’ tem uma cena muito boa – e de uma violência selvagem – quando Taylor enfrenta o sicário no exíguo espaço da cabine do trem. Tenho a impressão de que esses espaços fechados, concentracionários e claustrofóbicos vêm se multiplicando desde aquela luta no box – reminiscência de  ‘Psicose’? – no segundo ou terceiro filme da série ‘Bourne’, com Matt Damon. Taylor Lautner tem futuro no cinema? Fora da série ‘Crepúsculo’? ‘Sem Saída’ indica que sim. O filme é, no mínimo, melhor do que ‘Água para Elefantes’, ou coisa que o valha, que era muito ruim, inclusive por causa de Riobert Pattinson, que não tinha química nenhuma com Reese Whiterspoon.