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Luiz Carlos Merten

18 Junho 2007 | 15h40

Quase 30 anos depois de sua primeira apresentação na cidade, em 1979, Liza Minnelli volta a São Paulo para novo show, hoje à noite, no Tom Brasil. Liza desperta reações do tipo ‘Amea-a ou deteste-a’. É difícil meio-termo, em se tratando dela. Liza possui forte presença cênica, mas seu excesso – cantando, interpretando – não é para todos os gostos. Em 1972, ela foi saudada, numa reportagem de capa de Time, como nova Miss Showbiz. Era o ano de Cabaret e Liza ganhou o Oscar de melhor atriz. É um musical cult total, mas não sou muito fã, não. Pelo menos para o meu gosto pessoal, Liza era melhor antes. Seus filmes depois de Cabaret são uma decepção atrás da outra, e tanto faz que sejam assinados por grandes diretores como Stanley Donen (Os Aventureiros do Lucky Lady), Martin Scorsese (New York, New York) ou seu pai, Vincente Minnelli (Questão de Tempo). Liza, como atriz, virou show-woman e o cinema nunca mais lhe proporcionou o tipo de papel que é capaz de criar. Mas eu gostava dela. Filha de duas instituições, Judy Garland e Vincente Minnelli, não deve ter sido fácil carregar a herança de figuras tão decisivas do cinema americano. Como família, só podiam ser disfuncionais – Judy era drogada, Vincente era bissexual. Deve ter vindo dele a preferência de Liza por homens mais velhos e gays, que a levaram a tantas ligações desastrosas. Tudo isso é passado e ela sobe hoje ao palco para cantar dez números (apenas). New York-New York e Cabaret são dois deles, claro. Liza nunca foi a garota mais bela do mundo, nem a mais talentosa, muito menos a mais feliz. Me lembro de já ter lido isso, alguma vez. Quem foi que escreveu? Paulo Francis? João Máximo? Mas ela era muito interessante no começo de sua carreira. Em 1969, estrelou o primeiro longa de Alan J. Pakula, Os Anos Verdes. No ano seguinte interpretou o filme mais estranho de Otto Preminger, Diga-Me Que Me Ama, Junie Moon. Em Os anos Verdes, interpreta Pookie Adams, uma chata carente – e irritante – que gruda num garoto, a quem tenta seduzir. Em Junie Moon, faz garota com uma cidatriz no rosto que se une a um epilético e a um paraplégico para formar o que não deixa de ser uma união dos feios e dos outsiders contra o conceito de beleza que se tornou cada vez mais dominante na sociedade de consumo. Não é nenhuma ofensa dizer que Liza tinha physique du rôle para fazer aquelas personagens. Ela era intensa, frágil. O que ganhou depois como show-woman, virando ícone gay, perdeu daquela intensidade como atriz. Virou frenética.