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Luiz Carlos Merten

13 Dezembro 2009 | 13h58

Fui ontem a Campinas para uma visita a set. Era trabalho, mas a Lúcia, minha filha, foi quem me levou. Ela queria ir a um tal outlet que tem por lá. Voltei com amigos – Dib Carneiro Neto e João Luiz Sampaio, à noite -, após a leitura da peça de Ronald Harwood que João Luiz traduziu, sobre a conversão de Gustav Mahler. Oportunamente, vou voltar a falar sobre a peça, mas agora quero relatar um experiência. Não vou entrar em detalhes sobre o filme nem o diretor e o elenco antes de publicar a matéria no ‘Caderno 2’, mas a casa em que a cena estava sendo rodada no Jardim Helvetia é uma mansão que, na trama, supostamente se localiza em São Paulo, nos Jardins. O tempo não estava bom. Não chovia, mas o céu estava encoberto e havia um vento. Do ângulo em que estava via as árvores com as folhas se mexendo, e ouvia o som. Me veio a cena do parque em ‘Blow Up – Depois Daquele Beijo’, de Michelangelo Antonioni, quando o fotógrafo David Hemmings tira o olho da objetiva e vê uma paisagem parecida naquele parque, em que segue um casal. Mais tarde, ampliando suas fotos, ele vai descobrir que um crime foi cometido e o homem da foto foi assassinado. A trama do filme que vi rodar ontem não tem nada a ver. É sobre relacionamentos, família, mas as árvores e o vento me fizeram viajar. Ainda estava impactado pelo filme que vi de manhã, na Reserva Cultural, aqui em São Paulo. ‘Partir’, de Catherine Corsini, com Kristin Scott-Thomas e Sergi Lopez. Gostei demais do filme da Corsini e a Kristin – que atriz mais maravilhosa, e ousada. Suas cenas de sexo com Sergi Lopez são as mais intensas que vi no cinema, ultimamente. Pretendo voltar a ‘Partir’, sem dúvida. O curioso é que, nessa coisa de associações, o filme me pareceu uma versão mais madura de ‘Elvira Madigan’. Não é, claro, mas Kristin faz uma burguesa casada, que se envolve com ex-presidiário, um imigrante espanhol sem visto de trabalho na França. O marido descobre, corta o crédito dela, arranja para que o cara fique sem emprego. Eles ficam sem dinheiro para nada. Me lembrei das cenas de ‘Elvira Madigan’, de Bo Widerberg, em que a garota de circo e o amante militar fogem e, no campo, rastejam ao som de Mozart – K 622 -, comendo frutinhas silvestres para matar a fome. Gostei bastante de ‘Partir’. O filme estreia na sexta que vem. Fiquem antenados, mesmo que, na próxima semana, só vá dar o ‘Avatar’ de James Cameron, que também entra dia 18.