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Luiz Carlos Merten

05 Março 2011 | 11h23

RIO – Pela procedência, vocês já sabem onde estou. Desde ontem à tarde. Vim com meus amigos Dib Carneiro, Leila  Reis e Fátima Cardeal. Hoje à noite, vamos para a Sapucaí, no desfile da Império Serrano, do grupo de acesso,  e ainda estamos tentando a Mangueira ou a Grande Rio, no primeiro grupo. Senti-me hoje como personagem de um filme brasileiro por volta de 1970. Vim à sucursal do ‘Estado’, em plena Av. Rio Branco, para fazer os filmes na TV de segunda. Não imaginei que ia encontra tudo isso aqui – a Cinelândia, a Rio Branco – tomado pelo cordão do Bola Preta. Está chovendo, comprei meu chapéu de folião – de ‘malandro’ – e atravessei, como Pedro em ‘Guerra e Paz’, a bela versão de King Vidor, ou Fabrzio Del Dongo em ‘A Cartuxa de Parma’, não propriamente a ‘guerra’, mas essa outra guerra que é o carnaval. O clima é de ‘Lira do Delírio’, o melhor filme de Walter Lima Jr. (eu acho), mas essa gente toda, molhada (de chuva) e mamada (de bebida) me lembra o diálogo de Graciela Borges e Alfredo Alcón no filme de Leopoldo Torre-Nilsson. ‘Somos la piel del verano.’ A pele do carnaval? Nem aqui consigo me desligar das minhas obsessões cinematográficas. Estou acrescentando esse post só para dar notícias. Gabriel Villela está no sítio e, como ele diz, o blog o mantém informado de meus movimentos. Estou me divertindo, Gabriel. Daqui a pouco eu volto.