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Luiz Carlos Merten

23 Abril 2008 | 15h14

Confesso que não estou tendo tempo de postar como gostaria, nesta quarta-feira. Pela manhã, tive de correr atrás de Walter Salles e Daniela Thomas, e também de Matheus Nachtergaele, os três selecionados para Cannes. Walter e Daniela por ‘Linha de Passe’, na competição; Matheus pela ‘Festa da Menina Morta’, na mostra Un Certain Regard. Já contei para vocês que numa das 300 vezes a que assisti ‘Central do Brasil’, numa Sessão da Tarde, na Globo, fiquei chapado com o Domingos de Oliveira. A gente fala tanto da Fernanda no filme, a Montenegro, e ela é certamente maravilhosa, mas o guri não é mole, não. Vinicius faz um dos quatro filhos de ‘Linha de Passe’. O filme conta a história de uma mãe e seus garotos, cada um com seu sonho. Vinicius quer ser jogador de futebol. É um filme sobre a ‘frátria’, como disse Daniela, citando Waltinho. Um filme sobre a fratura da pátria, sobre a fraternidade, sobre gente ferida ou desprezada pela vida – pobre, de periferia – que se reinventa. Adorei mais uma coisa que ela me disse. O filme começou a ser gestado há cinco anos. Em 2003, George Moura e Daniela começaram o roteiro. Vinicius teve esses cinco anos para se preparar, para aprender a jogar futebol. Daniela jura que ele virou um craque. Não existe uma trucagem, nenhum plano separando o pé ou a cabeça do corpo, para simular as jogadas. O cara ficou tão bom de bola que Daniela disse que Waltinho briga – diz que o filme foi só um pretexto para preparar o Vinicius. Agora, eles vão vender o passe dele para o Barcelona. Não sei não, as coisas que tenho ouvido sobre ‘Linha de Passe’ me fazem sonhar com este filme. E vê-lo em Cannes, naquela tela… Haja coração!