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Luiz Carlos Merten

30 Abril 2007 | 16h13

Só mais um postezinho antes de sair. Cheguei e vim diretamente para o jornal. Nem passei em casa, o que não só quero como preciso fazer, em seguida. Desde sábado, quando falei pela primeira vez sobre Não por Acaso, após assistir ao filme de Philippe Barcinski, ainda não consegui postar o que vou dizer agora. São Paulo não é uma personagem só de Os Doze Trabalhos e Não por Acaso. A cidade, em toda a sua exuberância, também se faz presente em Via Láctea, o filme de Lina Chamie que vai abrir uma das mostras paralelas de Cannes, no mês que vem. O filme da Lina, que ainda não vi, mas cujo roteiro conheço, se passa em boa parte dentro deste carro, sobre um sujeito preso no trânsito e seus devaneios com uma mulher. Tenho a maior curiosidade por Via Láctea. Achei muito intrigante o longa dela, Tônica Dominante, que sendo um filme altamente secreto, permite múltiplas leituras (e eu viajei naquela estrutura audiovisual). Acho que Tônica Dominante tem uma das grandes cenas do cinema brasileiro recente. Fernando Alves Pinto desde pela Xavier de Toledo deserta, em direção ao Teatro Municipal. É amanhecer e o que aquilo representa? Tudo ou nada, depende da gente. Escrevo e só agora me dou conta. A geografia da cidade também já estava lá. São Paulo não é, nem de longe, uma cidade bela como o Rio. No Rio, você olha e capta a beleza ao primeiro olhar. Ela está na paisagem, na cara da gente. O fascínio de São Paulo se constrói por outras vias. É um mistério e está mais na São Paulo ‘decadente’ do centro do que na São Paulo brega e rica dos Jardins.

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