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Luiz Carlos Merten

08 Fevereiro 2009 | 12h43

BERLIM – Virgílio é um leitor de Belém doi Pará e sentiu-se discriminado – deduzo – quando acrescentei aquele ‘Vejam aí em São Paulo…’, no post sobre ‘O Leitor’, como se pensasse só num tipo específico de espectador para o filme de Stephen Daldry. Confesso que empaquei na hora, mas mantive a expressão porque sabia que o filme havia estreado em São Paulo e não tinha certeza se a estréia é nacional. Mas foi mancada, claro. Uma das coisas boas do blog é poder falar, pela internet, com um público que se situa muitas vezes a distâncias enormes, mas que fica próximo por conta da instantaneidade da rede. Existem pessoas que comentam os posts muito tempo depois, talvez por não terem acesso à informação naquele momento. Por exemplo, tem gente que não viu determinado filme, mas envia seu comentário mais tarde. Volta e meia, valido comentários de posts dos quais nem me lembro mais e isso é sempre interessante e enriquecedor. A propósito de ‘O Leitor’, lembrei-me agora de que Stephen Daldry dedica seu filme a dois cineastas que foram fundamentais para o projeto – Anthony Minghella e Sydney Pollack. Chabrol também dedica ‘Bellamy’ a dois Georges – um deles, Simenon, com quem a trama criminal e o personagem de Gérard Depardieu tem tudo a ver (o outro é Georges Brassens). É curioso como as pessoas vêem de forma diferente os mesmos filmes. Roberto amou ‘O Leitor’ e aproveita para esculhambar o pretensioso – a etiqueta é dele – ‘Benjamin Button’. Não sei que outro comentarista – esqueci o nome, desculpe – cai matando no filme do Daldry. Aqui em Berlim, o diretor contou que Kate Winslett foi sua primeira escolha para o papel, mas como ela não estava disponível ele começou a trabalhar no filme pensando em Nicole Kidman. Quando estava prestes a filmar, Nicole revelou-se indisponível e Kate, pelo contrário, estava ‘available’, o que lhe permitiu voltar à atriz que queria. Kate é magnífica, mas eu confesso que não gosto da maquiagem forçada que marca seu envelhecimento, no fim. Ao mesmo tempo, acho o desfecho com Ralph Fiennes e Lena Olin uma coisa de louco. Perfeito – e eu nunca ouvi coisas tão densas, e profundas, sobre Israel, a cultura judaica e o judaísmo ditas com tanta concisão. David Hare escreveu uma grande cena que Stephen Daldry filmou com classe, mas a atriz… Como Vanessa Redgrave no desfecho de ‘Desejo e Reparação’, Lena Olin, naqueles cinco minutos, rouba a cena e fornece um fecho admirável para ‘O Leitor’.