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Le roi Leo. E o rei Leo agora vai (mas vai mesmo?)

Luiz Carlos Merten

24 fevereiro 2016 | 19:44

PARIS – A revista francesa Première entrevistou Leonardo DiCaprio por causa de O Regresso. Le roi Leo. Ele é um personagem mais interessante que qualquer um que tenha interpretado para Martin Scorsese. Um lobo em Hollywood. Leo é obcecado pelos autores. Scorsese, Spielberg, Clint, agora Iñárritu. Mas nem a revista nem Leo se detêm no caso de Diamante de Sangue, provavelmente porque Edward Zwick não é um autor. Não? Vocês têm certeza? Não tenho muita admiração por Gangues de Nova York nem O Aviador – Os insaciáveis, de Edward Dmytryk, dá de dez no segundo. A ILha do Medo é indefensável, por mais que tenha quem o defenda, e a melhor parceria de Leo com o grande autor Scorsese é Os Infiltrados que, by the way, é quase um remake quadro a quadro de um êxito de Andy Lau. Amo Clint e vou ao inferno para defender American Sniper, mas a cinebiografia de J. Edgar Hoover é o pior filme do xerife. Não me sinto à vontade para falar sobre Prenda-Me Se For Capaz porque o filme pertence a uma fase em que Spielberg me era meio estranho. Ele já havia feito Amistad, mas o filme com Leo e Tom Hanks é anterior à trilogia sobre o 11 de Setembro (O Terminal, Guerra dos Mundos e Munique), e esse é o ‘meu’ Steven. O Regresso é quase outro remake, e a versão de Richard C. Sarafian, que revi hoje, é melhor. Está sobrando Diamante de Sangue, pelo qual nosso astro recebeu uma de suas muitas indicações para o Oscar. Nem lembro para quem perdeu – ah sim, lembro. Foi para o Idi Amin de Forest Whitaker, num daqueles anos em que um negro ganhou sem merecer, e não creio que alguém tenha protestado. Gosto muito de dois filmes de Edward Zwick – um é o Diamante de Sangue e o outro, O Último Samurai, com Tom Cruise. Lembro-me que, quando elogiei o filme, Daniel Piza ironizou na coluna dele do Estado. Disse que Zwick se havia aplicado para reproduzir Akira Kurosawa. Foi isso mesmo, mas o que paras o Piza era defeito para mim era qualidade. Umas paiusa, já que citei o Piza. Apesar das diferenças com o cara, gostava dele. M… que tenha morrido tão cedo. Na entrevista de Leo em Première, Blood Diamond é despachado como ‘comercial’. É um dos filmes políticos mais interessantes surgidos em Hollywood no século 21. Fui hoje à livraria Gibert Joseph, no Boulevard Saint Martin, para comprar um livro de westerns (mais um!) na Coleção Ciné Vintage. Chama-se justamente Le Western, de Christophe Champclaux e Linda Tahir Meriau, e a imagem da capa é de Clint Eastwood como estranho sem nome de Sergio Leone. Chamou-me a atenção outro livro que não comprei, mas dei uma olhada. Agora me arrependo, mas acho que ainda terei tempo amanhã. Quality Hollywood, de um tal Geoff King. O que define a qualidade de um filme? O que faz dele uma obra de arte? Geoff King disseca um conjunto de filmes mainstream, ignorados pela Academia, como novos paradigmas de qualidade em Hollywood. A Origem, de Christopher Nolan; A Rede Social, de David Fincher; O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford, de Andrew Dominik; e…. Diamante de Sangue. Coincidência ou não, são filmes que defendi com paixão. Vou ter de me informar melhor sobre esse rei Geoff, cujas ideias, aparentemente, comungo. E, de volta ao Leo, torço para que este ano ele finalmente ganhe seu Oscar, mas é bom ficar esperto porque Michael Fassbender é poderoso como Steve Jobs. Qualquer outro que ganhasse seria o ó.