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Luiz Carlos Merten

24 Fevereiro 2007 | 21h36

Só mais um postezinho rápido. Fui ver Vênus e achei o Peter O’Toole coisa de gênio. Nao sei (ainda) se gostei tanto assim do próprio filme, mas acho que dá para fazer uma ponte interessante com Pecados Íntimos, que deixo para amanhã. Pecados Íntimos chama-se Little Children no original, Criancinhas. Seu tema é a infantilização do mundo atual, da sociedade consumista que não estimula o amadurecimento (e necessita de pessoas carentes que supram suas necessidades comprando, comprando, comprando). O que isso tem a ver com o velho ator de Vênus? Tem tudo, basta analisar a ligação dele com a garota. Mas deixo para amanhã. Só não posso esperar para dizer o que me deixou siderado no filme. Foi a cena da igreja, quando O’Toole leva o amigo para visitar as placas dos artistas que já morreram. Passam diversos nomes e quando chega o de Laurence Harvey, entra a música executada pelo grupo que ensaia no altar. Laurence Harvey, não sei se todo mundo sabe (ou se lembra), morreu cedo, com 40 e poucos anos (50, no máximo). Inglês, ele se destacou em filmes importantes do fim dos anos 50 e início dos 60, incluindo Almas em Leilão, de Jack Clayton – em que fazia o arrivista amante de Simone Signoret e ela ganhou o Oscar pelo papel -, e a seqüência daquele clássico, Leilão de Almas, que foi um dos primeiros (senão o primeiro) filme de Ted Kotcheff. Que bela homenagem! Como não sabia nada sobre Vênus, foi uma descoberta e um choque. Achei muito bonito e viajei na lembrança, porque com as imagens de Laurence Harvey vieram as de outros filmes (e atores e atrizes) da época.