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Luiz Carlos Merten

19 Agosto 2007 | 11h59

PORTO ALEGRE – É a própria lei de Murphy. Depois de dois dias de frio e chuva em Gramado, deixei a cidade hoje de manhã, bem cedo, com a promessa de céu azul e muito sol. Um dia como o de hoje teria garantido muito mais movimento, não estou nem falando em brilho, à festa de encerramento do 35º Festival de Gramado. Enfim, estou em Porto Alegre, onde fico hoje, só amanhã retornando a São Paulo. Vamos dar uma geral nos resultados da premiação do Kikito. Assinei embaixo da escolha do júri internacional, que deu os Kikitos de melhor filme e direção para Nacido y Criado, do argentino Pablo Trapero, e os de melhor roteiro, ator (César Troncoso) e atriz (Virginia Méndez) ao uruguaio El Baño del Papa. O filme de Enrique Fernández e César Charlone, o grande fotógrado de Cidade de Deus, também recebeu os prêmios da crítica e do público. Achei O Banheiro (El Baño) muito legal. É um filme de uma singeleza muito grande, mas é daqueles que se valem de uma história ‘pequena’ para abarcar o mundo. Na reunião da crítica, Maria do Rosário Caetano disse que o filme era neo-realista e, mais do que neo-realista, ‘iraniano’. Pronto – vocês já sabem do que se trata. O filme argentino é outra coisa. Sua história é mais tênue (como a de Deserto Feliz), mas eu confesso que viajei na história desse homem que mata a família num acidente de carro e vai para os confins gelados do sul da Argentina, para ali renascer. Que filme bonito! Honestamente, não duvidava que o júri fosse dividir os prêmios entre os meus dois filmes estrangeiros favoritos. Minha única dúvida se referia ao Kikito de melhor ator – seria de César Troncoso ou de Guillermo Pfening, o também excepcional de Nacido y Criado? O júri optou por Troncoso e foi bem optado, mas Pfening também é fora de série. Nacido y Criado será distribuído no Brasil pela Videofilmes, El Baño del Papa também tem distribuição garantida, agora não sei se da própria Videofilmes ou da Downtown, porque quem estava em Gramado, como assessora, era a Ana Roditi, que trabalha com a Ana Luiza Müller (e as duas prestam serviço a ambas as empresas). Ana Roditi, por sinal, teve de se desdobrar, porque também assessorava Eduardo Coutinho e o mestre, além do Kikito de Cristal, que recebeu, retribuiu ofertando ao público gramadense o melhor filme do 35º festival – infelizmente, Jogo de Cena passou fora de concurso. O filme deve estrear até o fim do ano. Acho que Nacido y Criado e El Baño del Papa também estréiam, depois do Festival do Rio e da Mostra de São Paulo. Vamos à premiação nacional, no post seguinte.

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