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Luiz Carlos Merten

28 Agosto 2009 | 12h43

Existem muitos filmes sobre os quais quero escrever (e que estão estreando nesta sexta-feira). ‘Two Lovers’, claro, rebatizado como ‘Amantes’, e também ‘Anticristo’, ‘O Nome Dela É Sabine’. O filme de Lars Von Trier é nossa capa de hoje no ‘Caderno 2’ e dentro está a entrevista que fiz com o diretor, em Cannes, integrando um grupo predominantemente de orientais, que não perguntam nada e isso me permitiu fazer um pingue-ponmgue com o diretor dinamarquês. Mesmo assim, o espaço era pequeno e tive de cortar muita coisa que Lars disse. Mantive, numa retranca à parte, a frase de Willem Dafoe, dizendo que não precisou interpretar nada, apenas soltou o animal dentro dele em ‘Anticristo’. Maravilha! Já entrevistara Dafoe em Berlim, sobre o novo Theo Angelopoulos – está saindo em DVD ‘O Passo Suspenso da Cegonha’, aleluia! –, e também assistira à coletiva dele, que deu uma aula de ator no Talent Campus. Mas não consegui incluir uma história maravilhosa que Lars contou. Depois de ‘Manderlay’, ele disse que volta e meia recebia telefonemas de Dafoe, querendo saber se tinha alguma coisa para ele. Lars de cara percebeu que Dafoe era o cara para o marido, o terapeuta, de ‘Anrticristo’, mas sua mulher, Bente, disse que ator não iria aceitar um papel com aquele grau de exposição, inclusive física. Lars foi esperto – disse para Dafoe que tinha um papel que poderia ser interessante, mas nem ia falar porque sua mulher achava que seria constrangedor ouví-lo declinar. Dafoe quis saber por que Bente achava que não interessaria. Ao ouvir os motivos, disse que faria, independentemente de ler o roteiro, por confiança no cineasta. Por essas e outras é que Lars Von Trier reage candidamente à acusação que lhe fazem, de ser misógino. Eu?. pergunta. Diz que as mulheres são sempre mais intensas em seu cinema e acrescenta uma frase deliciosa, que essa eu coloquei no texto – “Amo minha mulher, ela faz o melhor wafle do mundo!’