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Cultura » Lamorisse no Noitão de sexta

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Luiz Carlos Merten

10 Junho 2008 | 15h46

Léo, que faz a assessoria de André Sturm na empresa Pandora, me liga para falar do Noitão de sexta-feira, no HSBC Belas Artes. Como vai ser uma edição de aniversário – quatro anos -, os filmes serão seis, e não três, em exibição em todas as salas do complexo na Av. Consolação. Léo me deu os títulos dos filmes e até o daquele que será o programa surpresa da noite. Deixando esse último de lado, para manter a surpresa, os demais são ‘Agente 86’, ‘Caótica Ana’ – do Júlio Medem, grande sucesso na história do Noitão -, ‘Bem-vindos’, ‘A Banda’ e… Tã-tã-tã. Léo me ligou especificamente para falar deste que vou dizer agora e que ele sabe que é um dos filmes cults da minha vida. Já havia escrito, aqui, sobre ‘O Balão Vermelho’, de Albert Lamorisse, e até manifestado o desejo de que a volta do clássico de Lamorisse em função de ‘A Viagem do Balão Vermelho’, de Hou Hsiao Hsien, ajudasse a liberar o filme antigo, que a Patrícia Durães, mulher de Adhemar Oliveiras, já havia tentado adquirir para seu Projeto Escola, mas trombou com a intransigência da família do diretor, que queria – sabe lá por quê – manter ‘O Balão’ fora de circuito. Temos de agradecer, quem sabe, a Hou Hsio Hsien e a sua maravilhosa atriz, Juliette Binoche, por devolverem ‘O Balão Vermelho’ às novas gerações de cinéfilos. O filme, um média metragem, vai passar num programa duplo que depois a Pandora promete lançar normalmente. É formado pelo ‘Balão’ e seu complemento, outro grande filme de Albert Lamorisse sobre a infância, ‘Crin Blanc, le Cheval Sauvage’, que vai se chamar ‘O Cavalo Branco’. Em seu Dicionário de Cinema, Jean Tulard considera ‘O Balão’ relativamente mais convencional, em relação ao ‘Cavalo’. Eu, que já amo o primeiro, estou babando para conhecer, enfim, o segundo, feito três anos antes, em 1953. Só para constar – anos atrás, participei de um livro organizado por Regina Zilbermann e intitulado ‘A Produção Cultural para a Criança’. Este livro teve uma edição atualizada, para a qual escrevi novo texto, e em ambos ‘O Balão Vermelho’ é citado como um marco do cinema sobre a infância, não digo para crianças, pois é um filme cuja poesia visa mais um público adulto.