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Luiz Carlos Merten

12 Outubro 2009 | 13h08

Saímos ontem de madrugada de Paraty, Compartilhei a van com Marcelo Gomes e dois integrantes da equipe do polêmico ‘Alô-Alô Terezinha’, de Nelson Hoineff, sobre Chacrinha (e as chacretes). Já disse que não consigo ver este filme senão como parte de um díptico que se completa com ‘Caro Francis’, também do Nelson. Ambos se completam na interpretação do País, mas viraram sacos de pancadas dos coleguinhas. ‘Caro Francis’ é chapa branca e ‘Terezinha’ é misógino e apelativo, por sua maneira de olhar a decadência das chacretes, menos Rita Cadillac, que reencontrei em Paraty. Prometo voltar ao assunto, nem que seja quando o filme passar na Mostra (a estreia será em 30 de outubro). Grande Rita! É impressionante como ela, fazendo cinema pornô, consegue impor respeito e ser a lady do povo, como Toni Venturi intitulou seu documentário sobre a estrela (que é!). Rita é objeto de desejo de todos os machos brasileiros, que sonham em fazer sacansagens gostosas com ela, mas as pessoas que a cercavam, querendo tirar fotos, eram mocinhas, senhoras, pais de família, todo mundo na maior reverência pela pessoa incrível que ela é. Acho isso maravilhoso. Na volta, conversei um pouco com Marcelo Gomes sobre isso e louvamos a cena de Rita como a melhor de ‘Carandiru’ – não sei se Babenco vai gostar dessa observação, mas fazer o quê? Aliás, Marcelo leu minha capa sobre a Mostra, as entrevistas com Ken Loach, Eric Cantona e Theo Angelopoulos, na quinta passada. Essa, agora, Leon Cakoff vai gostar – acho que vai ser uma grande Mostra, incluindo o vencedor de Veneza e o melhor filme de Cannes, ‘Independência’, de Raya Martin, que os mineiros vão ver antes (neste final de semana, na Mostra de Belo Horizonte). Marcelo me confessou que adora Ken Loach e Mike Leigh – eu gosto mais do Loach – e também me surpreendeu ao dizer que, em relação a Angelopoulos, alinha com os franceses, que o acham ‘pompier’. Marcelo admira os planos sequências do diretor grego – em ‘Paisagem na Neblina’, principalmente -, mas considera sua filosofia rasteira e, no limite, pensa que o que segura Angelopoulos é a Grécia, a cultura grega. outro tema para reflexão na pré Mostra.