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Luiz Carlos Merten

03 Novembro 2009 | 15h24

Vi ontem à tarde ‘Cúmplices’ e gostei do filme do francês Frédéric Mermoud, pré-selecionado pelo público como um dos 12 que o júri internacional está avaliando para atribuir, depois de amanhã, o prêmio Bandeira Paulista para o vencedor da 33ª Mostra. Achei o filme forte – um michê é assassinado, sua copine desaparece e um casal de policiais inicia uma investigação -, mesmo reconhecendo que ele tem um lado, talvez não pensado pelo diretor, de ‘piloto’ de TV. A dupla de policiais com certeza poderia ganhar um superprograma, mas o que me atraiu não foi tanto o lado ‘thriller’, mas a análise mais existencial que o autor faz de duas duplas ‘disfuncionais’. O filme começa com o corpo do michê sendo içado da água, todo rebentado. É um filme sobre o corpo, a função do corpo, mostrando como o prazer pode virar tormento. Achei muito interessante e até profundo, valendo destacar que Mermoud é doutor em filosofia e, portanto, tem preocupações mais abrangentes sobre a humanidade de seus personagens. À noite, voltei ao imaginário gay com ‘I Love You, Philip Morris’, do qual não gostei muito. Não sabia que o filme se baseia numa história real, e menos ainda que os fatos se sucederam no Texas de George W. Bush. Por que não gostei? Confesso que me irritou um pouco ver o Ewan McGregor fazer uma bichinha bem mulherzinha, batendo as pestanas quie emolduram seus olhos azuis para que o espectador entenda – e aceite… – tudo o que Jim Carrey faz por ela, perdão, por ele, como mentir, roubar etc. Achei o filme depressivo, essa é a verdade, e a cena da virada – Jim Carrey começa hetero, aí, de repente, se vira para a câmera e diz que se havia esquecido de esclarecer que é gay – é quando ele está, digamos, montado (‘trepado’) num sujeito. A cena pode ser chocante ou hilária – a plateia do ‘Frei’ Caneca entendeu numa boa -, mas confesso que seria mais impactante se o ‘Máskara’ estivesse por baixo. Chega de baixaria. Ao contrário do título, eu, pelo menos, não gostei de ‘Philip Morris’.