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Cultura » Lá vou eu (de novo?)

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Luiz Carlos Merten

04 Novembro 2011 | 22h48

Nem eu acredito. Corri tanto nos últimos dias que não tive de fazer uma das coisas de que mais gosto. Estou devendo, não tanto para vocês, mas para mim, posts sobre ‘Mulheres Apaixonadas’, ‘O Mensageiro do Diabo’ e o que já vi da ‘Hécuba’ de Gabriel Villela, a impressionante Walderez de Barros. E a Mostra já terminou, estamos em plena respecagem. ‘Marathon Boy’, que vi, foi o melhor documentário segundo o júri oficial, e ‘Respirar’, que não vi, a melhor ficção, também segundo o júri oficial. Nós, os críticos, escolhemos ‘Era Uma Vez na Anatólia’, de Nuri Bilge Ceylan, como melhor filme, com direito a menção para ‘Sábado Inocente’, de Alexander Mindadze. Votei em ambos, mas foi mais no desempate, porque, para marcar posição, minhas primeiras escolhas haviam sido o argentino ‘Las Acacias’, o francês ‘Pater’ e o Bellocchio, ‘Irmãs’. Corri muito nestes últimos dias para ver filmes e fazer entrevistas. Continuei correndo hoje. Tinha as matérias da edição de amanhã do ‘Caderno 2’, fui ver ‘Green Days’, de Hana Makhmalbaf, já pensando em entrevistar o pai dela, na sequência. Nem me lembrava que, anos atrás, entreguei um prêmio ao Makhmalbaf. Foi ele quem me disse, antes de desfiar o rosário sobre o inferno que virou o Irã sob Ahmadinejad. No filme da filha dele, assistindo a cenas da repressão do regime, vi imagens que não diferiam muito da brutalidade dos militares em ‘Marighella’. O horror, o horror. Os iranianos, me disse Makhmaslbaf, têm um carinho tão grande pelo Brasil. Pelé está na origem da paixão deles (e de milhões) pelo futebol e o aroma do café brasileiro é uma das boas coisas da vida, ele reconhece. Por isso mesmo, Makhmalbaf sempre lamentou que um estadista como Lula – e tem gente querendo que o ex-presidente morr no SUS, a estupidez não tem limites – apoiasse tanbo Ahmadinejad. Ele representa o que há de mais à direita no Irã, de onde esse apoio? Negócios ou será para ser contra o grande satã, os EUA, que demonizam, não sem certa razão, o presidente iraniano? Depois de entrevistar e redigir a entrevista, aionda tinha mais matérias e entrevistas para segubnda-feira. E agora estou no aeroporto, check-in já feito, pronto para voar para… Los Angeles. Vou entrevistar, tã-tã-tã, Miss Piggy, a versão virtual. Acho que foi isso que me seduziu na ideia. Lá vou eu. Espero ver bons filmes nestes três dias inteiros que vou ficar por lá. E vocês vejam o Almodóvar. ‘A Pele Que Habito’ é outro filme, bem diferente do que pensei ter visto em Cannes. Vejam, e depois a gente conversa.