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Luiz Carlos Merten

11 Outubro 2007 | 15h40

Estou correndo hoje no jornal para terminar minhas coisas do dia e encarar a Marginal, no fim de tarde, véspera de feriadão. Vai ser fogo! Se tudo der certo, embarco à noite para Nova York, onde permaneço no fim de semana, para algumas entrevistas e para ver filmes, muitos filmes. Muita coisa está estreando, ou acaba de estrear nos EUA. Muitos filmes políticos, que quero ver logo. Antecipadamente, quero pedir que vocês não se esqueçam da estréia, amanhã, de Piaf – Um Hino ao Amor. Já contei do choque tive em Berlim, em fevereiro, ao assistir ao filme de Olivier Dahan, que abriu o festival. Piaf, na tela, é aquela fragilidade. Canta como um passarinho e parece um passarinho, com seu físico de criança (o filme não se chama La Môme, no original, por acaso.) Saí chapado da sala e fui para a coletiva. Me chegou aquele mulherão, Marion Cotillard, alta, bela, sexy. Como uma atriz consegue se transformar tanto? Como ela se fragiliza, fica encurvada daquele jeito? É um mistério, o mistério da arte. Conversei há pouco com o diretor Olivier Dahan. Maneco Siqueira, da distribuidora Europa, me advertiu que seria tirar leite de pedra. Disse que o cara era monossilábico – sim, não, talvez. Mais que isso, seria difícil tirar dele. Dahan foi muito legal. Não sei se percebeu meu entusiasmo pela atriz, mas foi muito mais caloroso do que poderia esperar. Disse que a maquiagem ajudou, mas ele não precisou preparar Marion porque ela entrava em transe na hora de filmar. Era uma coisa que vinha de dentro, totalmente emocional. Marion virava Piaf. Seu mérito, ele admite, foi ter percebido, desde o começo, que deveria fazer o filme com ela, ou desistir. Perguntei, a pergunta que não quer calar, o que está sendo feito para colocar Marion Cotillard entre as indicações do próximo Oscar de atriz? Ele disse que o filme estourou na França (mais de 5 milhões de espectadores) e vai muito bem nos EUA (o maior sucesso do cinema francês desde Amélie Poulain). De concreto, nada está sendo feito. Explicou que é preciso dinheiro e disponibilidade de tempo, para levar uma campanha a bom termo. Mas ele promete agir. Que aja rápido. O Oscar merece Marion Cotillard nas suas fileiras.

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