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La Pampanini, que fez história até em Sampa

Luiz Carlos Merten

06 Janeiro 2016 | 16h54

Este começo de ano está sendo danado para a cultura. É recém dia 6 e já morreram Gilberto Mendes, Haskell Wexler (este morreu no finalzinho de 2015), Vilmos Zsigmond, Antônio Pompêo. Hoje morreram Pierre Boulez e Silvana Pampanini. Boulez não se vai sem provocar polêmica. A nova casa musical de Paris, a Philarmonie, que ele ajudou a criar, divulgou comunicado em que destaca sua ‘generosidade’. Michel Legrand, uma das glórias musicais da França, deu uma declaração na contramão – disse que Boulez já foi tarde (aos 90 anos) e que era um fascista autoritário que fez de tudo para prejudicar novos compositores, inclusive ele, Legrand. Ou seja, generosidade, uma ova. E Silvana Pampanini! Ela morreu em Roma, também aos 90 anos. Duvido muito que os mais jovens saibam de quem se trata, mas fui ao arquivo do Estado e encontrei preciosidades. Em 1953, Silvana passou por Congonhas, em companhia de Vittorio De Sica, numa escala do voo de ambos, de Roma para Buenos Aires. Bastou uma hora da estrela no saguão do aeoporto para que ele fosse ocupado por uma multidão e a polícia tivesse de intervir. Dois anos mais tarde, foi no Rio, no Galeão, outra escala, num voo para Montevidéu. Dessa vez teve até quebra-quebra por causa de ‘La Pampanini’. Ela foi Miss Roma e, quando perdeu o Miss Itália em 1947, a fúria do público foi tão grande que o júri voltou atrás e dividiu a coroa. A beleza foi seu trampolim, para o cinema. Filmou com Pietro Germi (A Presidenta), Giuseppe De Santis (Coração de Mulher), Luigi Zampa (Cidade da Perdição), Mario Soldati (OK Nero), Dino Risi (O Caradura). Com belos olhos claros e um busto de fazer inveja a Jayne Mansfield, La Pampanini iniciou o reinado das pin-ups italianas. Silvana Mangano, Gina Lollobrigida e Sophia Loren foram suas contemporâneas ou vieram na sequência. O curioso é que La Pampanini começou cantando no coro da igreja e, ainda nos anos 1950, dirigiu um elogiado documentário sobre Verdi. Não era mulher de levar desaforo para casa e, no Festival de Veneza de 1958, o Estado deu grande destaque a um incidente em que se envolveu, enchendo de tabefes a cara de uma jornalista que falou mal dela.