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Luiz Carlos Merten

22 Junho 2008 | 13h44

Além da entrevista com Castiñeira – a idéia original era juntá-lo com David Tygell, para falar sobre trilhas, mas o compositor brasileiro não estava ontem no Rio -, aproveitei para ver algumas coisas no Cinesul e o que eu queria ver, de verdade, era ‘La Casa del Angel’, com Elsa Daniel e Lautaro Murua, na retrospectiva de Torre-Nilsson, que passou à tarde na Cinemateca do MAM. (Ali perto realizava-se a eleição para o Conselho Deliberativo do Vasco e estava o maior tumulto, com manifestação da turma que apoiava Roberto Dinamite, mas esta é outra história.) Não me lembro se falei aqui, ou no texto que escrevi para o Caderno 2, mas Torre-Nilsson, como Walter Hugo Khouri, nos anos 50, era acusado de fazer um vanguardismo de segunda mão, assimilado do expressionismo de Bergman. ‘La Casa del Angel’ marca a primeira parceria de Torre-Nilsson com a romancista Beatriz Guido, com quem ele se casou e que virou sua ‘guionista’. Gostei muito da estética do filme, do seu rigor, daquela maneira de falar sobre política a partir da derrocada moral e física – da oligarquia argentina, na qual os homens, os ‘chefes’, eram corruptos e hipócritas e as mulheres, carolas de um puritanismo exacerbado (o que faz com que, numa cena célebre, as estátuas de um jardim sejam cobertas para que as garotas não vejam sua nudez). Neste quadro, Elsa Daniel perde a inocência mais do que a virtude e vira uma patética solitária sem lugar no mundo. É uma coisa muito de época, muito anos 50, mas gostei daquela estética. Apesar da precariedade da cópia (em DVD) – lá pelas tantas, houve um enguiço técnico qualquer e o filme foi projetado ‘quadro a quadro’ -, achei o filme visualmente muito bonito. Adoro aquele branco-e-preto. Não foi só a entrevista com Castiñeira de Dios que valeu, na minha ida ao Rio. O filme do Torre-Nilsson, também.